Lula mantém liderança e pode vencer no 1º turno em 2026, aponta Quaest
Outro dado relevante é o apoio à política externa de Lula: 64% dos brasileiros aprovam a defesa da soberania frente aos Estados Unidos
A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quinta-feira (18), indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue como favorito para as eleições de 2026, com chances de vitória já no primeiro turno em cenários de fragmentação da direita. O levantamento ouviu 2.004 eleitores em todo o país entre os dias 12 e 14 de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Cenários de primeiro turno
Nas simulações, Lula aparece com 32% a 35% das intenções de voto. Jair Bolsonaro, inelegível, registra até 24%. Entre os nomes mais competitivos da oposição estão Michelle Bolsonaro (18%) e Tarcísio de Freitas (17%). Eduardo Bolsonaro desponta como o menos viável do clã, com 14%.
Em cenários com múltiplos candidatos da direita, Lula sobe para entre 40% e 43%, o que abre possibilidade de vitória logo na primeira rodada. Contra Tarcísio (20%) e Eduardo (16%), o presidente soma 40%. Quando enfrenta Eduardo e Ratinho Júnior, Lula mantém 40% contra 37% da soma dos adversários. Já em disputas com Eduardo ao lado de Romeu Zema ou Ronaldo Caiado, Lula chega a 42% e 43%, respectivamente, ampliando a diferença.
Cenários de segundo turno
O adversário mais competitivo contra Lula é Ciro Gomes (PDT), que ficaria sete pontos atrás. Em seguida aparecem Tarcísio de Freitas, com desvantagem de oito pontos, e Ratinho Júnior, 12 pontos atrás. Bolsonaro aparece apenas em quarto lugar, com 13 pontos de diferença. Michelle Bolsonaro e Caiado ficariam a 15 pontos de distância, enquanto Eduardo Bolsonaro perderia por 18 e Eduardo Leite por 19 pontos.
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, os números mostram estabilidade. “Olhando para o histórico de simulações de 2º turno, é possível observar estabilidade na disputa entre Lula (43%) e Tarcísio (35%)”, afirmou.
Aprovação do governo
A avaliação da gestão Lula permanece estável: 46% aprovam, 51% desaprovam e 3% não souberam responder. É o segundo mês seguido em que o presidente registra seu melhor índice do ano, após queda registrada em maio, quando a diferença entre avaliação positiva e negativa chegou a 17 pontos.
O apoio se mantém mais forte no Nordeste (60%) e entre beneficiários do Bolsa Família (64%). No Sul, a desaprovação é mais elevada (60%). Entre os católicos há empate técnico (51% x 46%), enquanto entre evangélicos predomina a rejeição (61%).
Rejeição ao bolsonarismo
A pesquisa mostra avanço da rejeição a Jair Bolsonaro e sua família. O ex-presidente passou de 57% para 64% em setembro. Eduardo Bolsonaro saltou de 57% para 68% e Michelle de 51% para 61%. No grupo de eleitores independentes, a rejeição é ainda maior: 80% para Bolsonaro, 75% para Eduardo e 67% para Michelle.
Resistência à reeleição e sucessão
Apesar da liderança, 59% dos entrevistados não apoiam uma nova candidatura de Lula. Em um cenário alternativo, nomes como Geraldo Alckmin (9%), Simone Tebet (6%) e Fernando Haddad (5%) aparecem como opções de sucessão.
No campo bolsonarista, 76% defendem que Bolsonaro abra mão da candidatura e apoie outro nome, já que está inelegível. Tarcísio lidera entre os possíveis substitutos, com 15%, seguido por Ratinho Júnior (9%) e Michelle Bolsonaro (5%).
Percepção sobre Bolsonaro e anistia
O levantamento também mediu a percepção sobre a condenação de Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por participação na tentativa de golpe em 2022. Para 49% dos entrevistados, a pena foi exagerada; 35% consideram adequada e 12% a classificam como branda.
Sobre a possibilidade de anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro, 41% são contrários, 36% defendem anistia ampla (inclusive a Bolsonaro) e 10% apoiam perdão apenas aos participantes dos atos.
Relações internacionais e Trump
Outro dado relevante é o apoio à política externa de Lula: 64% dos brasileiros aprovam a defesa da soberania frente aos Estados Unidos. Entre os bolsonaristas, porém, a maioria critica essa postura. Além disso, 73% desaprovam a decisão de Donald Trump de impor tarifas ao Brasil e 74% acreditam que a medida terá impacto negativo na economia nacional.
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