Política

Lula e Trump: o que o brasileiro vai dizer ao americano na reunião de domingo

Lula prepara encontro com Trump e promete contestar tarifas contra o Brasil


IA Lula e Trump: o que o brasileiro vai dizer ao americano na reunião de domingo
Lula e Trump: a reunião pode acontecer no domingo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (24) que pretende dizer ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que as tarifas impostas contra o Brasil foram “um erro”. O encontro entre os dois deve ocorrer no domingo (26), à margem da cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, na Malásia.

Durante coletiva em Jacarta, Lula afirmou estar “totalmente preparado” para defender os interesses brasileiros e apresentar dados sobre o comércio entre os dois países. Segundo o presidente, a justificativa usada por Washington para impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros “não tem fundamento nem veracidade”. O petista destacou ainda que, nos últimos 15 anos, os Estados Unidos acumularam superávit de 410 bilhões de dólares na balança comercial com o Brasil.

As sanções norte-americanas também atingiram autoridades brasileiras, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após Trump alegar “perseguição política” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Condenado pelo STF a 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de 2022, Bolsonaro é aliado político de Trump. Lula rebateu a acusação de violação de direitos humanos, reafirmando que o Brasil é um Estado de direito. “Quem comete crime é julgado e, se for culpado, é punido”, afirmou.

Os dois líderes, ambos com 79 anos, retomaram o diálogo após uma breve conversa durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro, e uma ligação telefônica em outubro. Fontes diplomáticas confirmam que o encontro na Malásia está em fase final de preparação.

Diálogo sem restrições e críticas à intervenção dos EUA

Lula ressaltou que não há temas proibidos para a reunião com Trump. Ele pretende discutir comércio bilateral, as tarifas impostas aos produtos brasileiros e as punições aplicadas a autoridades nacionais. “Quero mostrar com números que houve equívoco nas taxações”, declarou. O presidente também destacou a importância do contato pessoal com o líder norte-americano. “Relação humana é química. Olho no olho, pegar na mão, abraçar. Digitalmente não é a mesma coisa”, afirmou.

Além de questões econômicas, Lula disse que pretende tratar de temas como narcotráfico e as recentes ações militares dos Estados Unidos na Venezuela. “Se o mundo virar uma terra sem lei, vai ficar muito difícil”, criticou, reiterando que nenhuma potência deve intervir “na terra dos outros” sem respeitar suas constituições.

O presidente brasileiro também pretende abordar assuntos de política internacional, como os conflitos em Gaza e na Ucrânia, além da situação na Venezuela e a transição energética. “O mundo não pode continuar com essa polarização entre o bem e o mal”, disse.

Energia limpa e papel da Petrobras

Durante sua participação na cúpula da ASEAN, que reúne líderes de dez países asiáticos, Lula afirmou que o Brasil quer mostrar ao mundo que é uma potência em energia limpa. Segundo ele, o país possui “gasolina e diesel mais puros que os outros” e deve usar os recursos do petróleo para impulsionar a transição energética.

Sobre a perfuração da Petrobras na Foz do Amazonas, o presidente enfatizou que o processo é de pesquisa e destacou a “competência técnica e ambiental” da estatal. “A Petrobras está deixando de ser uma empresa de petróleo para ser uma empresa de energia”, completou.

Lula encerra sua agenda na Malásia antes de retornar ao Brasil. O encontro com Trump, caso confirmado, marcará a retomada do diálogo direto entre os dois desde a posse do republicano, em janeiro de 2025.

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