Lula é o juiz da ‘Batalha da Maniçoba’! Qual a melhor, do Pará ou da Bahia?
A maniçoba é feita a partir das folhas da mandioca brava (maniva), moídas e cozidas por vários dias, o longo processo serve para eliminar substâncias tóxicas presente na planta crua
Em um tom bem-humorado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva protagonizou, neste sábado, um duelo culinário ao lado do governador do Pará, Helder Barbalho, e do ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, ex-governador da Bahia. O desafio lançado por Lula foi direto: qual é a melhor maniçoba do Brasil — a paraense ou a baiana?
“Vai começar uma disputa milenar entre Bahia e Pará”, disse Lula, entre risos. “O governador Helder afirma que a melhor maniçoba do mundo é a do Pará. O Rui Costa discorda. Quero que ele explique como se faz maniçoba na Bahia e onde ela é preparada por lá”, provocou o presidente, em tom de brincadeira.
A maniçoba é um dos pratos mais emblemáticos da culinária amazônica, especialmente de Belém. Feita a partir das folhas da mandioca brava (maniva), moídas e cozidas por vários dias — geralmente de cinco a sete —, o longo processo serve para eliminar o ácido cianídrico, substância tóxica presente na planta crua. Depois desse cozimento, a massa escura resultante recebe carnes salgadas e defumadas, como charque, paio, toucinho, linguiça e costelinha. O resultado é um prato de sabor intenso e marcante, muitas vezes chamado de “feijoada paraense”, servido com arroz branco e farinha de mandioca. A maniçoba é presença obrigatória nas celebrações do Círio de Nazaré, uma das maiores festas religiosas do país.
Na Bahia, o prato ganha contornos próprios e identidade afro-baiana. Também feito com folhas de mandioca brava cozidas por cerca de uma semana, o preparo elimina toda a toxina natural da planta e resulta numa base densa e escura. A ela se juntam carnes salgadas e defumadas — charque, carne de porco, linguiça, pé, orelha e costelinha —, além de temperos típicos do estado, como alho, cebola, louro, pimenta e, em algumas versões, azeite de dendê.
A principal diferença entre as duas tradições está nos temperos e acompanhamentos. Enquanto a maniçoba paraense é servida com arroz e farinha seca, a versão baiana pode vir acompanhada de arroz, farofa, laranja e pimenta malagueta, remetendo à fartura e ao simbolismo das comidas de santo do candomblé. Na Bahia, a maniçoba é considerada um alimento ritual, associado às festas religiosas e às casas de axé do Recôncavo e de Salvador — uma síntese viva das raízes afro-indígenas que moldaram a culinária brasileira.
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