Segurança Pública

Lula ataca influência das milícias no Rio e entra em rota de colisão com a Alerj

Presidente cobra combate às milícias, critica influência política no Rio e pressiona Senado por avanço da PEC da Segurança Pública


Reprodução Lula ataca influência das milícias no Rio e entra em rota de colisão com a Alerj
Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou o tom contra a influência das milícias no Rio de Janeiro durante agenda oficial na Fiocruz, neste sábado (23). Ao lado do governador interino Ricardo Couto, Lula afirmou que, caso a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro tivesse escolhido o novo chefe do Executivo estadual, “viria um miliciano”. A declaração provocou reação imediata da Alerj e ampliou a tensão política no estado às vésperas das eleições de 2026.

Durante a inauguração das novas instalações do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), da Fiocruz, no Rio de Janeiro, Lula fez um discurso duro sobre segurança pública, avanço das facções criminosas e influência política das milícias no estado. O presidente pediu que Ricardo Couto aproveite os dez meses restantes de mandato para enfrentar grupos criminosos e recuperar o prestígio político e institucional do Rio de Janeiro.

“Não é possível que um estado tão poderoso e bonito seja governado por milicianos. O povo do Rio não merece isso”, declarou Lula diante de autoridades, ministros e apoiadores presentes no evento.

O petista também afirmou que o Rio de Janeiro precisa retomar o controle territorial das comunidades dominadas por facções e milícias. Segundo Lula, o estado brasileiro não pode aceitar que áreas inteiras permaneçam sob comando do crime organizado.

Lula cobra combate às milícias e critica influência política no Rio

Ao discursar para o governador interino, Lula afirmou que Ricardo Couto tem a missão de fazer em poucos meses o que, segundo ele, não foi feito em anos por outras gestões estaduais.

“Prenda todos os ladrões que governaram este estado e deputados que fazem parte de milícia organizada”, disse o presidente.

Ricardo Couto assumiu o comando do governo estadual após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro. Antes disso, ocupava a presidência do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Nos bastidores políticos, aliados de Cláudio Castro tentaram viabilizar uma eleição indireta na Alerj para definir o novo governador, mas a estratégia acabou barrada por decisões judiciais.

Lula aproveitou o evento para elogiar Couto e compará-lo a outros magistrados que passaram pela política. “Você precisa honrar o Judiciário e mostrar que é possível consertar o Rio de Janeiro”, afirmou.

Além de Ricardo Couto, participaram do evento o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, e o presidente da Fiocruz, Mário Moreira.

Lula volta a pressionar Senado por avanço da PEC da Segurança Pública

Durante o mesmo discurso, Lula voltou a cobrar a tramitação da PEC da Segurança Pública, proposta considerada prioritária pelo Palácio do Planalto e que está parada no Senado desde março.

O presidente afirmou que a Constituição de 1988 deu pouco protagonismo à União no enfrentamento da criminalidade e reconheceu que os constituintes — incluindo ele próprio — erraram ao deixar a segurança pública concentrada nos estados.

“Não deu muito certo porque muitas vezes o governador fica refém da polícia”, afirmou Lula.

A proposta, elaborada na gestão do ex-ministro Ricardo Lewandowski, busca incluir o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na Constituição e endurecer regras contra lideranças do crime organizado, incluindo restrições à progressão de regime e ampliação do confisco de bens ligados ao crime.

O texto também prevê reforço financeiro para estados e municípios, incluindo destinação de parte da arrecadação das apostas esportivas para o Fundo Nacional de Segurança Pública.

Alerj reage e acusa Lula de desrespeitar o Parlamento fluminense

As declarações do presidente provocaram forte reação da Alerj. Em nota oficial, o Parlamento fluminense afirmou que Lula desrespeitou uma instituição democrática e generalizou acusações contra deputados estaduais.

“A Alerj respeita as instituições da República e espera o mesmo respeito por parte de todas as autoridades do país, inclusive do presidente da República”, afirmou a Casa legislativa.

A nota também rebateu as críticas relacionadas à segurança pública e atribuiu parte da responsabilidade ao governo federal, citando falhas no combate ao tráfico de armas, controle de fronteiras e expansão das facções criminosas no país.

Já o presidente da Alerj, Douglas Ruas, subiu ainda mais o tom. Em resposta enviada à imprensa, o parlamentar afirmou que Lula “não tem moral para dar lição” sobre combate ao crime organizado.

Douglas Ruas também atacou o prefeito do Rio e pré-candidato ao governo estadual, Eduardo Paes, aliado político de Lula no estado. Segundo ele, o avanço das milícias ocorreu durante gestões ligadas ao grupo político de Paes.

O presidente da Alerj ainda afirmou que a única deputada estadual alvo de investigação por suposta ligação com milícia pertence ao partido de Eduardo Paes, ampliando o embate político no Rio de Janeiro em meio às articulações eleitorais para 2026.

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