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Leônidas da Silva, o craque comunista do Vasco, São Paulo e Seleção Brasileira

"Sou comunista sim senhor. Sou do povo, nasci do povo e me fiz entre o povo, como, pois, ficar separado do povo?", Leônidas da Silva


Reprodução Leônidas da Silva, o craque comunista do Vasco, São Paulo e Seleção Brasileira
Leônidas da Silva craque no campo e na política

Leônidas da Silva foi o primeiro grande gênio midiático do futebol brasileiro e um dos mais corajosos defensores da classe trabalhadora fora das quatro linhas. Dentro dos gramados, ele ajudou a moldar a identidade do "futebol-arte" nacional. Fora deles, colocou sua imensa popularidade a serviço da militância popular e declarou voto histórico no candidato do Partido Comunista do Brasil (PCB).

Abaixo, veja como a trajetória do "Diamante Negro" uniu a genialidade com a bola e a firme consciência de classe:

O Gênio dos Gramados: O Diamante Negro

Nascido no subúrbio carioca, Leônidas rompeu as barreiras do racismo em uma época em que o futebol ainda tentava ser um esporte de elites brancas.

  • Pai da Bicicleta: Ele eternizou e popularizou a jogada plástica da bicicleta, demonstrando uma elasticidade impressionante.
  • Artilheiro do Mundo: Na Copa do Mundo de 1938, na França, ele foi o artilheiro do torneio e se consagrou internacionalmente, chegando a marcar um gol descalço no gramado encharcado.
  • Ídolo de Massas: Teve passagens vitoriosas por grandes clubes como Botafogo, Vasco, Flamengo e São Paulo, tornando-se o primeiro jogador brasileiro a virar marca comercial (o chocolate Diamante Negro foi batizado em sua homenagem).

O Ser Político: Consciência de Classe e o PCB

Diferente de atletas que preferiam a neutralidade para proteger seus contratos, Leônidas nunca esqueceu suas origens humildes como filho de empregada doméstica. O ano de 1945 marcou o fim da ditadura do Estado Novo de Getúlio Vargas e a redemocratização do país, com a volta da legalidade para o Partido Comunista. Foi nesse cenário que o craque tomou uma posição firme:

  • O Voto de 1945: Durante a concentração da Seleção Brasileira em Caxambu (MG) para as eleições presidenciais, Leônidas chocou a imprensa da época ao declarar publicamente seu voto em Yedo Fiúza, o candidato lançado pelo PCB.
  • Identidade com o Povo: Questionado por repórteres e colunistas conservadores sobre o motivo de apoiar os comunistas, o jogador respondeu de forma categórica: "Votei no Fiúza porque sou um homem do povo". Ele completou sua visão com a famosa frase:

"Sou comunista sim senhor. Sou do povo, nasci do povo e me fiz entre o povo, como, pois, ficar separado do povo?"

  • Fé e Comunismo: A imprensa tentou criar polêmica ao questionar como ele conciliava a fé católica com a ideologia de esquerda. Leônidas rebateu dizendo que não via contradição, pois tanto o catolicismo quanto o comunismo tinham como base a preocupação e a defesa dos mais pobres.
  • Afronta à Elite: Enquanto brilhava pelo São Paulo e pela Seleção, o atacante evitava os banquetes da alta sociedade burguesa para frequentar reuniões e comitês de base populares. Os jornais da época ironizavam sua postura, publicando que o craque "só queria brilhar na extrema-esquerda".

Leônidas da Silva provou que o futebol brasileiro nasceu das mãos, dos pés e da consciência do povo negro e trabalhador. Ele abriu caminho para as gerações futuras de atletas engajados, mostrando que a verdadeira grandeza de um ídolo se mede pelos gols que faz no campo e pelas causas que defende na vida.

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