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Lemann e Beto Sicupira são alvos de busca da PF no caso Americanas

Investigação sobre fraude contábil avança e atinge acionistas de referência da varejista


Reprodução Lemann e Beto Sicupira são alvos de busca da PF no caso Americanas
Lemann e Beto Sicupira são alvos de busca da PF no caso Americanas

A Polícia Federal realiza nesta manhã uma nova etapa da investigação sobre as fraudes contábeis da Americanas, com mandados de busca e apreensão contra os empresários Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira. A operação também inclui o bloqueio de bens de até R$ 54 bilhões e apura possíveis crimes de manipulação de mercado, associação criminosa e participação de instituições financeiras no esquema.

O que aconteceu

A Polícia Federal cumpre nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo contra Jorge Paulo Lemann e Carlos Alberto Sicupira, acionistas de referência da Americanas e também ligados a empresas como Ambev e Kraft Heinz. A ação integra uma nova fase da investigação sobre o rombo de R$ 54 bilhões identificado na contabilidade da varejista.

Por determinação da 10ª Vara Federal do Rio de Janeiro, também foi autorizado o sequestro de bens dos investigados até o valor estimado do prejuízo. Os crimes apurados incluem manipulação de mercado e associação criminosa.

Segundo a PF, os acionistas tinham conhecimento das operações de Verbas de Propaganda Cooperada (VPC) e de Risco Sacado, mecanismos apontados como centrais na fraude contábil. As investigações indicam que lançamentos relacionados a VPCs inexistentes teriam sido registrados sem documentação comprobatória, com eventual produção de documentos falsos para atender auditorias.

O Risco Sacado, operação comum no varejo para financiar pagamentos a fornecedores, teria sido registrado de forma incorreta nos balanços da empresa, ocultando dívidas.

A operação também apura a atuação de bancos no esquema. Em acordo de colaboração premiada, o ex-diretor financeiro da Americanas, Fabio Abrate, afirmou que integrantes de grandes instituições financeiras contribuíram para a continuidade da fraude. Segundo ele, funcionários dos bancos e executivos da companhia teriam atuado deliberadamente para esconder das auditorias e dos demonstrativos financeiros as obrigações relacionadas ao risco sacado.

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