Legado Olímpico: Floresta dos Atletas em Desgaste
Parque de Deodoro enfrenta descaso com projeto ambiental de 2016.
O Parque Radical de Deodoro, localizado na Zona Oeste do Rio de Janeiro, simboliza a expectativa de um legado duradouro dos Jogos Olímpicos de 2016. Destacando-se como a primeira Olimpíada com compromisso ambiental, os Jogos do Rio propuseram a criação da Floresta dos Atletas, um projeto que prometia plantio e preservação de espécies da Mata Atlântica. Contudo, uma década após o evento, a situação revela um cenário de descuido e falta de manutenção.
O Projeto e Sua Execução
Durante a abertura das Olimpíadas no Maracanã, em 5 de agosto de 2016, os espectadores assistiram ao anúncio do projeto. Atletas de diversos países depositaram 207 tipos de sementes, representando nações participantes, em pequenos tubos. A ideia era plantar essas sementes numa área de cinco hectares dentro do Parque. Entretanto, devido a problemas de financiamento e burocracia, o plantio efetivo só começou em 25 de setembro de 2019.
Em um esforço conjunto da Prefeitura do Rio, a Floresta dos Atletas recebeu um impulso significativo nesse dia, com o plantio de 13.725 mudas. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente utilizou cerca de R$ 3 milhões em recursos de compensação ambiental, essencialmente contribuindo para o plantio. Dessas sementes, era notável que 42 espécies estavam ameaçadas de extinção, e 92 eram produtoras de frutos cruciais para a fauna local.
Degradação e Desgaste
No entanto, passados poucos anos, as estruturas de identificação das plantas, compostas por etiquetas em hastes de concreto, encontram-se apagadas ou danificadas. Alguns dos visitantes que passam pelo local sequer reconhecem o significado histórico e ambiental das árvores, que se espalham pela beira das ruas e trilhas do parque.
A falta de manutenção não se restringe às plantas. A placa que deveria indicar o começo da Floresta está em estado precário, cercada por um espaço descuidado e árido. Embora a intenção de criar um ambiente verde e duradouro tenha sido bem recebida, as práticas sustentáveis prometidas não parecem ter sido integralmente passadas adiante.
Reações e Atividades Atuantes
O Parque de Deodoro, durante os Jogos de 2016, foi palco de modalidades como ciclismo BMX e canoagem slalom. A gestão atual tenta preservar o espaço, mas as condições climáticas e o tempo dificultam a conservação de diversas estruturas. Segundo a Secretaria Municipal de Esportes do Rio de Janeiro, o parque ainda recebe eventos da Vila Olímpica e está aberto ao público aos fins de semana.
A expansão de mais 2,2 hectares da Floresta em 2021, ampliando a área verde para oito hectares com 19.225 árvores, não impediu que a degradação avançasse. Ainda assim, a Secretaria afirma que as árvores recebem os cuidados ambientais necessários e que placas danificadas são substituídas regularmente.
O potencial de um legado ambiental impressionante transformou-se em uma lição sobre os desafios do envolvimento cívico e manutenção de projetos complexos e duradouros.
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