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Justiça manda SBT exibir direito de resposta de Erika Hilton no Programa do Ratinho

Emissora deverá transmitir vídeo da deputada após decisão judicial sobre declarações feitas por Ratinho


Reprodução Justiça manda SBT exibir direito de resposta de Erika Hilton no Programa do Ratinho
Justiça manda SBT exibir direito de resposta de Erika Hilton após fala de Ratinho

A Justiça de São Paulo determinou que o SBT exiba um vídeo de direito de resposta da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) após declarações feitas pelo apresentador Ratinho sobre sua identidade de gênero. A emissora terá dez dias para cumprir a decisão e deverá transmitir o conteúdo no mesmo horário, com igual destaque e duração das falas questionadas, sob pena de multa diária de R$ 50 mil.

O que aconteceu

A decisão judicial colocou o SBT e o apresentador Ratinho no centro de uma nova controvérsia. De acordo com informações da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a emissora foi obrigada a veicular um vídeo gravado por Erika Hilton em exercício do direito de resposta. A exibição deve ocorrer nos próximos dias.

O processo teve origem em declarações feitas por Ratinho em março deste ano. Ao comentar o fato de Erika presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, o apresentador questionou sua condição de mulher e afirmou que, para ser mulher, seria necessário ter útero e menstruar. As falas tiveram ampla repercussão nas redes sociais e motivaram a ação judicial da parlamentar.

Ao analisar o caso, o juiz André Della Latta Cartaxo concluiu que os comentários ultrapassaram os limites da crítica e atingiram diretamente a identidade da deputada. Segundo o magistrado, o discurso não se restringiu à contestação da nomeação para a comissão, avançando para a negação reiterada da identidade da autora da ação.

A decisão estabelece que o vídeo de Erika Hilton seja exibido nas mesmas condições das declarações que originaram o processo. No conteúdo, a deputada afirma que a liberdade de expressão não pode ser usada para justificar discriminação e ressalta que a transfobia é equiparada ao crime de racismo no Brasil.

Ao encerrar a sentença, o juiz destacou que a medida não busca impedir divergências de opinião, mas responsabilizar a forma como elas foram manifestadas em rede nacional, afirmando que “ofensa não é opinião, é ato ilícito”.

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