Política

Jornalista sugere que Luiz Fux renuncie ao STF

Reinaldo Azevedo critica mudança de postura de Luiz Fux no STF, apontando contradições, pressões políticas e falta de equilíbrio judicial em julgamentos do 8 de janeiro.


Reprodução Jornalista sugere que Luiz Fux renuncie ao STF
Jornalista sugere que Luiz Fux renuncie ao STF

O jornalista Reinaldo Azevedo, articulista do portal UOL, publicou um artigo no qual defende que o ministro Luiz Fux renuncie ao cargo no Supremo Tribunal Federal. No texto, Azevedo analisa os critérios e responsabilidades necessários para o exercício da magistratura na mais alta Corte do país. 

Veja abaixo um resumo do artigo:

O autor defende que o ministro Luiz Fux deveria renunciar ao cargo no STF, alegando que ele demonstrou não ter mais as qualidades exigidas de um juiz, como calma, temperança e imparcialidade, ao admitir ter sido influenciado pela comoção nacional ao julgar os envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.

Segundo o texto, Fux proferiu um voto de 14 horas em setembro, no qual absolveu Jair Bolsonaro e outros líderes do golpe, condenando apenas Mauro Cid e Braga Netto. Isso teria contrastado com suas condenações anteriores de mais de 600 envolvidos, demonstrando incoerência e seletividade. O autor ironiza o fato de Fux agora revisar gramaticalmente esse voto, tratando-o como uma "obra-prima".

Na sessão mais recente, Fux fez uma espécie de mea-culpa, afirmando que a Justiça pode se precipitar sob pressão social, mas que o tempo revela as injustiças cometidas. O autor interpreta isso como uma confissão de que Fux foi influenciado por pressões políticas em suas decisões anteriores e agora tenta se reposicionar, usando um discurso pomposo e literário para justificar mudanças de posição.

O texto questiona:

Se Fux, às vésperas da aposentadoria, tenta mudar de postura de punitivista para garantista;

Se outros votos também foram dados sob influência do "ambiente";

O que motivou sua mudança repentina, já que não houve nova comoção popular;

Se ele foi covarde antes e agora é "corajoso";

Se absolver golpistas é agora visto como “defesa do Estado de Direito”.

O autor aponta uma aparente contradição: Fux condenou centenas de réus por influência da comoção, mas depois, influenciado talvez por outra pressão, desta vez pró-impunidade, aliviou penas dos principais articuladores.

Fux também defendeu que a Justiça deve saber corrigir seus erros e garantir os direitos dos acusados, citando os valores da Constituição de 1988. No entanto, o autor critica essa argumentação, dizendo que ela soa como defesa de anistia disfarçada de “reconciliação”, o que seria, na prática, uma tentativa de conciliar a democracia com o golpismo.

Ao final, o autor conclui que Fux não é nem verdadeiramente punitivista nem garantista, apenas incoerente. Ele não propõe impeachment, mas sugere que o ministro deveria renunciar por iniciativa própria, embora ache improvável que isso aconteça.

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