Jaques Wagner é alvo da PF na 9ª fase da Operação Compliance Zero
Transferências financeiras para empresa ligada à família de Jaques Wagner estão sob investigação
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes e irregularidades relacionadas ao Banco Master. Entre os alvos da ação está o senador Jaques Wagner, líder do governo no Senado, além do empresário Augusto Lima, apontado como ex-sócio do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpre 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e Distrito Federal. Além das buscas, foram determinadas medidas cautelares contra investigados, incluindo proibição de contato entre os envolvidos, suspensão de passaportes e monitoramento eletrônico.
Operação Compliance Zero investiga esquema ligado ao Banco Master
A nova fase da Operação Compliance Zero aprofunda as investigações sobre possíveis fraudes envolvendo o Banco Master e a relação de seus dirigentes com agentes políticos e empresários. A apuração busca esclarecer a atuação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e seus vínculos com os investigados.
Entre os endereços alvo da operação estão empresas e residências ligadas a Augusto Lima, empresário que já havia sido alvo de fases anteriores da investigação e atualmente utiliza tornozeleira eletrônica por determinação judicial.
Até o momento, Jaques Wagner não havia se manifestado oficialmente sobre a operação.
Transferências financeiras para empresa ligada à família de Jaques Wagner estão sob investigação
Um dos pontos analisados pelos investigadores envolve a empresa BN Financeira, pertencente a Bonnie Bonilha, nora de Jaques Wagner. Dados de quebra de sigilo fiscal enviados à CPI do Crime Organizado apontam que a empresa recebeu aproximadamente R$ 12 milhões do Banco Master entre 2022 e 2025.
Os documentos também indicam que o próprio senador aparece como destinatário de R$ 289 mil provenientes do banco. Na época da divulgação dessas informações, Wagner afirmou que os valores correspondiam aos rendimentos de uma aplicação financeira mantida em conta na instituição.
Relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima teve início em negociação da Cesta do Povo
A investigação também examina a relação entre Jaques Wagner e Augusto Lima, que teria começado em 2017 durante o processo de privatização da rede de supermercados estatais Cesta do Povo, administrada pela antiga Empresa Baiana de Alimentos (Ebal).
Em entrevistas anteriores, o senador afirmou que negociou com Augusto Lima a venda da rede antes de o empresário se tornar sócio de Daniel Vorcaro. Segundo Wagner, a transação ocorreu dentro dos procedimentos legais da privatização conduzida pelo governo baiano.
De acordo com informações que integram a investigação, após sucessivos leilões sem interessados, Augusto Lima sugeriu ampliar o alcance dos cartões de compras da rede, incorporando serviços financeiros. A iniciativa deu origem ao Credcesta, programa que posteriormente ganhou relevância no mercado baiano.
A Ebal acabou sendo vendida por cerca de R$ 15 milhões para uma empresa que, posteriormente, repassou o controle dos ativos para Augusto Lima.
STF acompanha investigação do Caso Master
A investigação tramita sob supervisão do STF e busca reunir elementos que possam esclarecer a eventual participação dos investigados em irregularidades relacionadas ao Banco Master.
A assessoria de Jaques Wagner e a defesa de Augusto Lima foram procuradas por veículos de imprensa para comentar a operação. Até o momento, não houve manifestação pública dos citados sobre os novos desdobramentos do Caso Master.
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