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Haddad anuncia pacote emergencial para proteger exportações brasileiras após tarifaço dos EUA

Ministro da Fazenda detalha medidas emergenciais e estruturantes, com foco em crédito, seguro e incentivos fiscais para exportadores afetados.


Marcelo Camargo/Agência Brasil Haddad anuncia pacote emergencial para proteger exportações brasileiras após tarifaço dos EUA
Fernando Haddad

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), anunciou nesta quarta-feira (13) um conjunto de medidas emergenciais e estruturantes para sustentar as exportações brasileiras frente ao aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos. O anúncio foi feito durante a assinatura da medida provisória "MP Brasil Soberano", em Brasília.

Segundo Haddad, o Brasil enfrenta uma situação inédita no cenário político e econômico. “Estamos sendo sancionados por sermos mais democráticos que o nosso agressor”, declarou. O ministro criticou a retaliação americana e afirmou que a resposta brasileira será firme: “Vamos enfrentar e superar mais essa dificuldade imposta de fora para dentro, infelizmente com apoio de setores radicalizados da nossa própria sociedade.”

Reforma tributária como base da resposta

Haddad explicou que a estratégia do governo inclui medidas de curto prazo, alinhadas à reforma tributária já aprovada no Congresso. Ele disse que a equipe econômica dialogou com diversos setores nas últimas semanas para mapear os impactos do tarifaço de 50%, garantindo que as primeiras medidas atendam os segmentos mais prejudicados.

A reforma tributária, que entra em vigor em 2027, foi chamada de “a primeira medida estrutural” e, segundo o ministro, eliminará distorções do “sistema caótico” atual, beneficiando diretamente os exportadores.

Crédito com garantia para pequenos e médios exportadores

Entre as ações anunciadas está a reativação do financiamento a baixo custo via Fundo Garantidor de Exportações (FGE), com prioridade para empresas afetadas pelas novas tarifas. Haddad destacou a preocupação do governo em garantir que os recursos cheguem também aos pequenos e médios exportadores, e não apenas aos grandes grupos com mais acesso a crédito.

“O presidente tem sido muito enfático: o crédito barato muitas vezes é capturado por quem não precisa. Vamos garantir acesso ao pequeno e médio exportador com crédito e seguro respaldados por garantias públicas”, afirmou.

Seguro para ampliar mercados

Outro eixo do pacote é a reestruturação do seguro às exportações, considerado essencial por Haddad para dar suporte às vendas externas. “Sem seguro você não consegue manter as exportações. Esse era outro setor debilitado, e vamos fortalecê-lo com os fundos garantidores”, explicou o ministro.

Reintegra retorna de forma temporária

O ministro também confirmou o retorno do Reintegra — mecanismo que devolve parte dos tributos embutidos nas exportações — como medida de alívio imediato para os exportadores. O benefício, no entanto, tem prazo definido: “Até o fim de 2026, quando todos os exportadores estarão isentos de tributos com a nova estrutura tributária.”

Compras públicas para absorver produção redirecionada

Por fim, Haddad adiantou uma flexibilização nas compras governamentais para absorver parte da produção inicialmente destinada à exportação. Governos estaduais e municipais poderão adquirir produtos, inclusive perecíveis, para programas sociais como a merenda escolar.

A medida faz parte de um conjunto maior que, segundo o ministro, inclui ações já antecipadas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. “Trata-se de um esforço coordenado para atenuar o impacto inicial dessa medida arbitrária dos EUA sobre a nossa economia”, concluiu Haddad.

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