Gilda, de "Vale Tudo", e sua história: perdeu o pai no 1º dia de gravação e é ex-ambulante
A atriz Letícia Vieira é um dos novos rostos da teledramaturgia brasileira que estreiou nas noites da TV Globo na nova versão da clássica novela Vale Tudo
A atriz Letícia Vieira é um dos novos rostos da teledramaturgia brasileira que estreiou nas noites da TV Globo na nova versão da clássica novela Vale Tudo. A produção, assinada por Manuela Dias, traz mudanças em relação à trama original de Gilberto Braga, exibida em 1988. Uma delas é a transformação do personagem Gildo, interpretado na época por Fernando Almeida, em Gilda, papel vivido por Letícia. Na nova leitura da história, Gilda é uma jovem de origem humilde acolhida por Raquel (Taís Araújo) ao chegar ao Rio de Janeiro.
Letícia, que já havia participado de testes para interpretar Maria de Fátima — personagem que ficou com Bella Campos — chamou a atenção da direção da novela pela intensidade e autenticidade de sua atuação. Apesar de ainda ter pouca experiência como atriz, foi convidada a permanecer no elenco como Gilda, papel que tem forte conexão com sua trajetória pessoal. “Eu fiz o teste com a Taís e esqueci o texto. E quando passei, não me falaram que papel era. Aprovada, falei: ‘pai, eu vou fazer a novela com a Taís Araújo’. Estava feliz porque eu a admiro”, contou durante coletiva de imprensa.
Nascida em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Letícia Vieira, morou na favela da Rocinha e começou a carreira como modelo. Estreante em novelas, a atriz precisou revisitar o próprio passado para compor a personagem. “Assim como a Gilda, sou uma menina periférica. Trabalhei como ambulante vendendo sacolé na praia, saía de Belford Roxo e ia até o Arpoador. Essa experiência me ensinou a me comunicar e enfrentar a vida. Acessar essas memórias foi meu maior desafio”, relatou em entrevista.
Caçula de três irmãos, filha de uma dona de casa e de um funcionário de açougue, Letícia diz que seu histórico é parte do que a torna autêntica na pele de Gilda. A atriz também foi descoberta por uma produtora de elenco e deve estrear ainda este ano na série Vermelho Sangue, do Globoplay, ao lado de Alanis Guillen. Representada por um escritório que gerencia nomes como Humberto Carrão, Juan Paiva e Letícia Colin, Letícia encara a nova fase da carreira com os pés no chão e o orgulho de representar outras jovens negras e periféricas. “Não me escolheram à toa. Só a gente sabe o que passou para chegar aqui.”
Essa trajetória vitoriosa teve início marcada por uma dor profunda. O pai de Letícia, que sempre dizia sonhar em vê-la na televisão, faleceu justamente no dia em que a atriz faria sua primeira gravação para a novela.
Em seu instagram a atriz tem várias postagens sobre sua família, e, principalmente, seu pai. Veja:
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