Política

Foragida na Itália, Carla Zambelli intensifica ataques ao STF e tenta evitar extradição

Zambelli reapareceu em vídeos e postagens nas redes sociais, utilizando uma conta registrada em nome de sua mãe, para atacar ministros do STF e se apresentar como vítima de perseguição política


Reprodução Foragida na Itália, Carla Zambelli intensifica ataques ao STF e tenta evitar extradição
A foragida Carla Zambeli

Condenada a 10 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a foragida e deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) vive reclusa na Itália, onde se encontra foragida da Justiça brasileira e incluída na lista de procurados da Interpol.

Segundo seu advogado, Fábio Pagnozzi disse ao UOL, Zambelli vive em “ambiente controlado”, sem acesso a medicamentos, com recursos financeiros escassos e separada do marido, o coronel Aginaldo Oliveira. A parlamentar tem evitado aparições públicas por medo de novas sanções judiciais e aguarda a decisão do governo italiano sobre seu pedido de extradição. Caso a extradição seja autorizada, a defesa promete recorrer, alegando cidadania italiana. A expectativa é que uma definição ocorra entre o fim de agosto e o início de setembro.

Enquanto isso, Zambelli reapareceu em vídeos e postagens nas redes sociais, utilizando uma conta registrada em nome de sua mãe, para atacar ministros do STF e se apresentar como vítima de perseguição política. Em um dos vídeos, ela agradece ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por interceder junto à primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, e ao vice-premiê Matteo Salvini. “Sou uma exilada política, uma perseguida no Brasil”, afirmou. A deputada, no entanto, não é reconhecida como exilada por especialistas. Para o cientista político Marco Antônio Teixeira, da FGV-SP, “exílio político se aplica a quem é perseguido por suas ideias e não a quem foge para escapar de punição judicial”.

Zambelli também tem seguido os passos de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que articula nos Estados Unidos retaliações contra o Brasil. Em nova ofensiva, ela ameaçou ministros do STF com possíveis sanções na Europa. “Em breve vocês também não poderão vir para a Europa. Eu provarei minha inocência e voltarei ao meu país de cabeça erguida”, escreveu. A publicação foi endossada por Eduardo Bolsonaro, que afirmou ser “muito comum a Europa acompanhar os EUA em sanções”.

Além da condenação criminal, Zambelli enfrenta um processo de cassação de mandato na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O relator, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), anunciou reuniões com o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), e com líderes partidários para definir os próximos passos. A defesa da deputada solicitou uma acareação entre ela e o hacker Walter Delgatti Neto, delator do caso, mas o pedido ainda está sob análise.

O caso reabre o debate sobre os privilégios parlamentares e o uso de recursos públicos por investigados e condenados. Mesmo foragida, Zambelli continua vinculada a benefícios funcionais e mantém mandato ativo, o que aumenta a pressão sobre o Legislativo para agir diante de mais um episódio que compromete a imagem institucional do Parlamento.

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