Flotilha Global parte rumo a Gaza com Greta Thunberg, Susan Sarandon e Thiago Ávila, entre outros
Desde 2010, todas as tentativas de flotilhas rumo a Gaza foram interceptadas por Israel
Ativistas, jornalistas, políticos e apoiadores de diferentes países se reuniram em Barcelona, na Espanha, para lançar a maior flotilha já organizada em direção à Faixa de Gaza. A missão, batizada de Flotilha Global Sumud – termo árabe que significa resiliência –, tem como objetivo furar o bloqueio imposto por Israel e entregar exclusivamente ajuda humanitária à população palestina.
O ato de lançamento ocorreu no histórico salão da UGT, um dos sindicatos mais antigos da Espanha, espaço que durante a Guerra Civil Espanhola serviu de registro para voluntários internacionais. Agora, o local abriga a preparação de centenas de participantes que devem embarcar em cerca de 100 barcos, partindo da Espanha até a Tunísia, onde receberão reforços de outras embarcações.
Treinamento e compromisso pacífico
Voluntários de 42 países participaram, nos últimos dias, de treinamentos intensivos em Barcelona. Todos assinaram um código de conduta inspirado em lutas não violentas, como a de Mahatma Gandhi e Rosa Parks, comprometendo-se a manter a resistência pacífica mesmo diante de riscos de interceptações, prisões ou agressões em alto-mar.
“Não somos heróis. Não somos a história. A história é o povo de Gaza”, declarou o brasileiro Thiago Ávila, ativista ambiental e pró-Palestina. Ele destacou que a missão busca não apenas entregar suprimentos, mas abrir um corredor humanitário diante da fome e dos massacres que atingem a região.
Risco constante
Desde 2010, todas as tentativas de flotilhas rumo a Gaza foram interceptadas por Israel. A mais trágica ocorreu naquele mesmo ano, quando forças israelenses mataram dez ativistas na chamada Flotilha da Liberdade, que transportava mais de 600 passageiros. Em junho de 2025, o navio Madleen, que levava a sueca Greta Thunberg, foi apreendido em águas internacionais e seus tripulantes, deportados.
Voluntários brasileiros e apoio internacional
Entre os cerca de 13 brasileiros que participam da iniciativa estão:
Thiago Ávila, que já havia sido detido e deportado por Israel em julho deste ano;
A vereadora de Campinas Mariana Conti (Psol);
A presidente estadual do Psol no Rio Grande do Sul, Gabrielle Tolotti;
O médico Mohamad El Kadri, coordenador do Fórum Latino Palestino;
O sindicalista Magno de Carvalho Costa, do Sintusp.
A flotilha também conta com a adesão de personalidades internacionais, como os atores Susan Sarandon e Liam Cunningham, além da ex-prefeita de Barcelona, Ada Colau, e parlamentares europeus.
Barcelona em clima de resistência
Durante os preparativos, Barcelona se transformou em palco de manifestações culturais e políticas em apoio à flotilha. Milhares participaram de festivais de música, performances e atos no Moll de la Fusta, onde bandeiras palestinas e tambores deram tom de resistência e celebração.
A colombiana Luna Valentina, de 24 anos, exilada na Jordânia, relatou que encontrou na missão um novo sentido para sua luta: “Enfrentei perseguição política e racismo, mas aqui vejo força na solidariedade feminina e na esperança de levar auxílio a Gaza”, afirmou à Al Jazeera.
Já Ávila, que se tornou pai recentemente, ressaltou o caráter pessoal de sua participação: “Amo muito minha filha, como mães e pais em Gaza amam seus filhos. É por esse amor que não podemos permitir que o mundo siga assim”.
Outra voluntária, uma mãe australiana de quatro filhos, resumiu a motivação de muitos: “Ninguém deveria viver e morrer dessa forma. Todos merecem a mesma dignidade e liberdade”.
Financiamento coletivo
A Global Sumud se apresenta como uma iniciativa da sociedade civil, financiada por doações de pessoas físicas e jurídicas. A organização não divulgou os custos da operação nem a identidade dos financiadores.
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