Segurança Pública

FEIJOADA ENVENEDADA: mulher do Rio contrata outra de SP para matar o próprio pai

Ana Paula Veloso é investigada por matar por envenenamento três vítimas em São Paulo e o pai de uma amiga no Rio de Janeiro


Reprodução FEIJOADA ENVENEDADA: mulher do Rio contrata outra de SP para matar o próprio pai
Ana Paula Veloso, Neil Corrêa da Silva e Michele Paiva da Silva

A Polícia Civil do Rio de Janeiro exumou nesta quinta-feira (9), no Cemitério Memorial do Rio, em Cordovil, o corpo de Neil Corrêa da Silva, de 65 anos, morto em abril após comer uma feijoada preparada pela própria filha, Michele Paiva da Silva. O exame busca confirmar a suspeita de envenenamento. O caso, que já chocava a Baixada Fluminense, ganhou contornos ainda mais graves após as investigações revelarem uma suposta série de crimes cometidos por uma das envolvidas.

Segundo o delegado Halisson Ideiao, que veio de São Paulo para acompanhar a exumação, a amiga de Michele, Ana Paula Veloso, seria uma “serial killer”. A polícia paulista já apura quatro mortes atribuídas a ela — entre as vítimas estaria o próprio Neil. “Chegamos à conclusão de que Ana Paula não era vítima, mas uma assassina em série. Ela matou quatro pessoas envenenadas, entre elas Neil, a mando de Michele”, afirmou o delegado.

Michele teria financiado a vinda da comparsa de Guarulhos (SP) ao Rio de Janeiro para executar o plano. As duas estão presas — Michele foi detida na última terça-feira (7). O delegado Renato Martins, da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), explicou que o caso do aposentado já estava sob investigação quando a polícia paulista informou a prisão de Ana Paula por envenenamentos semelhantes.

Neil morreu no Hospital Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, horas depois de almoçar com a filha e a amiga. Embora o atestado de óbito mencione insuficiência respiratória aguda e cetoacidose diabética, a Polícia Civil suspeita de terbufós, um agrotóxico semelhante ao chumbinho, encontrado na casa de Ana Paula.

Em depoimento, Ana Paula confessou ter testado o veneno em 10 cachorros, que morreram após ingerirem alimentos contaminados. Segundo o delegado, ela estudava o efeito do produto e dominava a dosagem necessária para causar a morte humana. “Ela sabia exatamente o tempo de ação e o resultado da substância”, disse Ideiao, que a classificou como uma “psicopata”.

As investigações também indicam o envolvimento da irmã gêmea de Ana Paula, Roberta Veloso, apontada como cúmplice moral e material na morte de Neil.

Uma quebra de sigilo telefônico revelou conversas entre Michele e Ana Paula, nas quais discutiam a possibilidade de envenenar o idoso com uma feijoada. Segundo a polícia, pai e filha mantinham uma relação conflituosa.

O Ministério Público de São Paulo já denunciou Ana Paula pelas mortes investigadas no estado. Em depoimento informal, Michele chorou e negou o crime. Até o momento, as defesas das duas não se pronunciaram.

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