Política

Em Rondônia, Simone Tebet enfrenta Trump, exalta China e reforça reeleição de Lula

Ela faz discurso histórico e reafirma defesa de Lula diante de ataques dos EUA


Reprodução Em Rondônia, Simone Tebet enfrenta Trump, exalta China e reforça reeleição de Lula
Simone faz discurso histórico em Rondônia

Durante o anúncio de investimentos do governo federal em Rondônia, nesta sexta-feira (8), a ministra do Planejamento, Simone Tebet, protagonizou um dos discursos mais enfáticos e simbólicos de sua trajetória no primeiro escalão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Candidata à Presidência da República em 2022, quando disputou contra Lula e só no segundo turno aderiu à campanha petista, Tebet — historicamente posicionada à direita do campo político do PT — consolidou-se, como uma das vozes mais firmes na defesa do governo.

O ponto central da fala foi a soberania brasileira diante do cenário internacional, especialmente após o chamado tarifaço anunciado por Donald Trump contra produtos brasileiros. Tebet destacou a importância do Corredor Bioceânico — projeto bilionário que pretende interligar, por ferrovia, os oceanos Atlântico e Pacífico — como eixo estratégico para a integração latino-americana e a ampliação do comércio com a Ásia.

“A China vai ser parceira do Brasil num projeto que será a primeira ferrovia a interligar dois oceanos: o Atlântico na Bahia, passando por Goiás, rasgando o Mato Grosso, chegando em Vilhena, aqui em Rondônia, indo para o Acre e chegando ao Peru, no Porto de Chancay, para fazer com que os nossos produtos cheguem mais rápido à Ásia”, afirmou a ministra.

Na sequência, Tebet fez questão de pontuar o peso comercial do continente asiático e da própria América do Sul para o Brasil.

“Num momento em que o multilateralismo está sendo ameaçado, nós temos que respeitar os Estados Unidos. Nós precisamos deles como parceiros comerciais, é verdade. Mas os Estados Unidos não podem se enganar: o nosso maior parceiro comercial hoje é a China, é a Ásia. Se a América do Sul — da Venezuela à Argentina, passando pela Bolívia — fosse um único país, seria o nosso segundo maior parceiro comercial, à frente dos EUA”, destacou.

A ministra também aproveitou para exaltar a postura internacional de Lula, classificando-o como um líder que não teme se posicionar diante de temas sensíveis no cenário mundial.

“É um presidente que tem coragem de falar o que está acontecendo em Gaza. É um presidente que tem coragem de falar o que está acontecendo com essas guerras. E porque eu sei que vocês querem ouvir o presidente Lula”, disse.

Encerrando sua fala, Tebet lançou um recado político com clara referência às eleições presidenciais de 2026.

“Hoje a democracia ainda exige de todos nós a eterna vigilância. E nós seremos vigilantes, porque, na realidade, nós não temos apenas um Congresso Nacional para eleger. Nós temos que reeleger aquele que é o único que teve a capacidade de olhar para os filhos da fronteira como vocês.”

O discurso, de tom nacionalista e regionalmente direcionado, foi recebido com aplausos e é apontado nos bastidores de Brasília como um marco na consolidação de Simone Tebet como uma das mais importantes defensoras do projeto político de Lula, apesar de sua origem em um campo político distinto.


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