Política

Em evento da XP, ricos, conservadores e políticos ensaiam coalizão para barrar reeleição de Lula

Eles insistiram na necessidade de união do campo conservador e exaltaram Jair Bolsonaro como figura ainda indispensável ao projeto de poder da direita brasileira


Reprodução Em evento da XP, ricos, conservadores e políticos ensaiam coalizão para barrar reeleição de Lula
Ratinho. Tarcisio e Caiado. Eles conseguirão derrotar Lula ?

A Expert XP 2025, realizada neste fim de semana na capital paulista, foi mais do que uma feira de investimentos: transformou-se numa espécie de conclave da direita nacional, reunindo figuras do mercado financeiro, empresários, políticos conservadores e pré-candidatos ansiosos por ocupar o espaço deixado por Jair Bolsonaro. Em meio a corredores lotados por engravatados e discursos com roupagem tecnocrática, o que se viu foi uma busca quase desesperada por um nome viável para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já teve sua candidatura à reeleição confirmada.

No painel “O Brasil que se constrói nos estados”, realizado neste sábado (26), os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) e Ratinho Junior (PSD-PR) dividiram o palco e a estratégia: insistiram na necessidade de união do campo conservador e exaltaram Jair Bolsonaro como figura ainda indispensável ao projeto de poder da direita brasileira.

Ovacionado pelo público, composto majoritariamente por investidores, gestores financeiros e executivos do alto escalão, Tarcísio defendeu uma articulação ampla da direita e disse que Bolsonaro, mesmo investigado por tentativa de golpe de Estado, não ficará fora do processo eleitoral. “Sem dúvida, a união faz a força. O país está se distanciando de suas vocações. Mas temos um grupo que sabe como colocar o Brasil no eixo do crescimento. E engana-se quem pensa que Jair Bolsonaro ficará de fora: ele participará do processo, seja em qual condição for. Não haverá racha na direita”, afirmou o governador paulista, cotado como um dos presidenciáveis mais competitivos da direita.

Diferente de Tarcísio, que ainda pode disputar a reeleição ao governo de São Paulo, Caiado e Ratinho já cumprem o segundo mandato em seus estados e, portanto, estão inelegíveis para o cargo atual. Mesmo assim, não escondem o apetite por projeção nacional.

Ronaldo Caiado adotou um tom provocador ao se referir ao presidente da República. “A primeira medida simpática que vou tomar é derrotar o Lula”, ironizou, arrancando aplausos e gritos da plateia. Ele também defendeu que a direita lance múltiplas candidaturas no primeiro turno para dificultar os ataques da “máquina petista”. “Quando você solta um único candidato, dá ao PT uma capacidade destrutiva enorme. Se formos três, eles não conseguem nos atingir a todos. Um vai chegar ao segundo turno e os outros estarão juntos”, afirmou. Em sua fala, classificou Bolsonaro como a única liderança nacional capaz de mobilizar as massas e sugeriu que todos os demais nomes são, em alguma medida, líderes regionais.

Caiado ainda reforçou a proposta de acabar com a reeleição. “O presidente precisa ter apenas um mandato para governar com coragem e sem pensar em eleição futura”, defendeu.

Já Ratinho Junior exaltou a atual geração de governadores, dizendo que o Brasil vive sua melhor safra em 30 anos, e minimizou a disputa interna entre os partidos da direita. “O debate entre candidatos do mesmo espectro fortalece a democracia e a boa política. Quem for ao segundo turno certamente terá o apoio de todo esse grupo para apresentar um novo projeto ao país”, declarou. Para ele, o debate eleitoral antecipado se dá por causa da frustração da população com o governo Lula: “Se o governo estivesse entregando o que prometeu, ninguém estaria falando em eleição agora. Mas o que vemos é uma grande insatisfação”.

Enquanto os governadores falavam para a elite do mercado financeiro, na véspera, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi direto ao ponto: Lula será candidato à reeleição em 2026. “Não há essa possibilidade de ele não disputar. Lula é candidato”, disse. Edinho destacou ainda que o grande desafio para o partido será preparar a sucessão quando Lula não estiver mais nas urnas: “É preciso construir uma instituição forte, que dialogue com a sociedade e esteja sintonizada com sua agenda”.

A Expert XP chegou à sua 15ª edição com público estimado em mais de 45 mil participantes. O evento já recebeu, em anos anteriores, nomes como Bill Clinton, Serena Williams, Yuval Harari e Malala Yousafzai. Em 2025, no entanto, o tom do encontro foi marcadamente político e ideológico, refletindo o ambiente de tensão e incerteza da elite econômica diante de mais um ciclo eleitoral em que Lula aparece como favorito. E, pelo visto, o mercado ainda busca — com ansiedade — o “nome certo” para derrotá-lo.

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