Ele quer silenciar a crítica
Se o Brasil não acordar agora, será tarde demais
Por Luis Felipe Miguel, professor, no facebook
Já está acontecendo.
Só ontem, houve a prisão de André Constantine, por discursar na Cinelândia contra a violência policial. E, mais significativa ainda, a prisão do jovem de Uberlândia, cujo tuíte satírico contra Bolsonaro foi considerado "ameaça à segurança nacional".
O MEC comunica sua decisão de perseguir professores com posição crítica por meio de ofício-circular encaminhado aos dirigentes das IFES. O jornalista que ousou questionar Bolsonaro no Acre foi demitido. Uma tal associação de advogados conversadores (ou seria conservadores?) alardeia que vai processar qualquer um que ousar falar do "mito".
Nenhum destes episódios é desprovido de gravidade. Em conjunto, eles desenham muito clara a imagem.
Estamos no caminho da Hungria. Uma regime ditatorial cuja fachada de respeito à legalidade é tão fina, tão transparente, que nem esconde nada.
Em parte, é a aplicação do projeto de sempre do bolsonarismo: silenciar a crítica é o passo lógico para um governo que vive da propagação da mentira e que é incapaz de debate.
Em parte, é uma reação à prisão do deputado golpista. Uma queda de braço para ver quem é mais eficaz em impor restrições à liberdade de expressão: um Supremo lento, acovardado, preocupado em primeiro lugar consigo mesmo, fraco em suas convicções democráticas? Ou um Executivo tomado por extremistas, obscurantistas e fanfarrões, com indiscutível tempero fascista?
A cada vez que a reação é nula, fraca ou acomodatícia, torna-se mais custoso reagir da vez seguinte.
É a velha história da rã na panela. Se o Brasil não acordar agora, será tarde demais.
Deixe sua opinião: