Política

É hora de Lula assumir o bastão de maestro, por Luís Nassif

Um plano de governo objetivo, explicado de maneira pedagógica pelo presidente, nas redes sociais e nas redes de emissoras, acordaria o país


Reprodução É hora de Lula assumir o bastão de maestro, por Luís Nassif
É hora de Lula assumir o bastão de maestro

O jornalista Luis Nassif traça um diagnóstico crítico do cenário político brasileiro ao apontar o que considera um “malabarismo” do campo anti-lulista. Segundo a análise, há uma constante tentativa de reposicionamento de lideranças da direita e da chamada terceira via, sempre apresentadas como alternativas “menos radicais”. Primeiro, surge a normalização de Flávio Bolsonaro como opção mais moderada que o pai, Jair Bolsonaro. Em seguida, o governador Ronaldo Caiado aparece como alternativa ainda mais “equilibrada”. Já no horizonte político, nomes como Eduardo Leite passam a ser rotulados até mesmo como centro-esquerda — numa tentativa de reconfigurar o debate público.

Para Nassif, essa sucessão de candidaturas revela uma fragilidade estrutural: somados, esses nomes não alcançam densidade política comparável à de lideranças consolidadas como Lula ou o próprio Bolsonaro. Ainda assim, o anti-lulismo segue ativo, alimentado — segundo o jornalista — por desinformação, como episódios envolvendo supostas quebras de sigilo, além de um discurso recorrente de pessimismo e instabilidade.

A análise também critica o que chama de tolerância seletiva de setores políticos e econômicos com práticas controversas. Nassif aponta que, em nome da conveniência política, denúncias graves — como esquemas de rachadinha, suspeitas de lavagem de dinheiro e ligações com milícias — acabam sendo relativizadas. Nesse contexto, o país seria tratado por alguns grupos como espaço de ganhos rápidos, sem compromisso com um projeto de desenvolvimento nacional consistente.

Ao ampliar o olhar, o jornalista resgata um período em que empresários e lideranças econômicas demonstravam ambição de construir um país industrializado e competitivo. Ele cita figuras históricas do setor financeiro e industrial que, segundo sua leitura, pensavam o Brasil como uma nação de longo prazo. Hoje, no entanto, Nassif avalia que a financeirização excessiva corroeu essa visão estratégica, deslocando o foco para ganhos imediatos e enfraquecendo a agenda industrial.

Outro ponto central da análise é a perda de coesão institucional. Nassif identifica três fatores principais: o esvaziamento dos partidos políticos, a fragilidade da mídia como espaço de formulação crítica e a ausência de think tanks capazes de articular ideias e projetos de país. Mesmo estruturas partidárias com potencial de formulação, como centros de estudos e fundações, não conseguiriam transformar diagnósticos em propostas efetivas de governo.

Diante desse cenário, a Presidência da República aparece, na visão do jornalista, como o principal polo possível de coordenação nacional. O Brasil dispõe de uma ampla rede de instituições — universidades, centros de pesquisa, órgãos de planejamento e financiamento — capazes de sustentar políticas públicas robustas. Falta, no entanto, articulação política e comunicação eficiente.

Por fim, Nassif destaca o papel estratégico da comunicação direta com a população. Ele lembra exemplos históricos, como o uso do rádio por Franklin Roosevelt, e contrasta com o modelo recente de comunicação digital adotado no Brasil. Para o jornalista, um plano de governo claro, apresentado de forma didática e constante, poderia mobilizar um país que, apesar das crises, demonstra sinais de vitalidade cultural e desejo de retomada.

Na avaliação de Luis Nassif, o Brasil reúne condições objetivas para um novo ciclo de desenvolvimento. O desafio, segundo ele, não está na ausência de recursos ou ideias, mas na falta de liderança política capaz de organizar, comunicar e conduzir esse projeto nacional.

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