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Do caos à esperança: como a Seleção chega a 2026 após um 2025 turbulento

A chegada de Carlo Ancelotti trouxe mais organização, testes amplos e sinais de evolução, embora ainda existam dúvidas importantes, especialmente em torno de Neymar


CBF Do caos à esperança: como a Seleção chega a 2026 após um 2025 turbulento
Seleção Brasileira

A Seleção Brasileira encerra 2025 como um time em reconstrução, após um início caótico e a troca de comando técnico. A chegada de Carlo Ancelotti trouxe mais organização, testes amplos e sinais de evolução, embora ainda existam dúvidas importantes, especialmente em torno de Neymar. Para 2026, o Brasil não chega como favorito, mas com uma base mais sólida e expectativa de crescimento ao longo do Mundial.

O QUE ACONTECEU 

A Seleção Brasileira encerra 2025 carregando um retrato fiel de um ano de transição: instável no início, turbulento no meio do caminho e moderadamente mais organizado na reta final. O balanço geral não permite euforia, mas tampouco autoriza pessimismo absoluto às vésperas da Copa do Mundo de 2026.

Desde o pentacampeonato conquistado em 2002, no Japão, o hexa tornou-se uma obsessão nacional. Em mais de duas décadas, o Brasil jamais voltou a disputar uma final de Copa, acumulando eliminações precoces e frustrações simbólicas, como o traumático 7 a 1 de 2014. O ciclo iniciado após o Mundial do Catar, em 2022, aprofundou essa sensação de desorientação, com trocas sucessivas no comando técnico e ausência de um projeto claro.

Um início caótico e a queda de Dorival

O ano começou sob o comando de Dorival Júnior, mas durou pouco. Em apenas dois jogos oficiais em 2025 — empate por 1 a 1 com a Colômbia e a goleada sofrida por 4 a 1 diante da Argentina — ficou evidente a falta de evolução coletiva. A derrota para a maior rival, a pior da história do Brasil em Eliminatórias, foi o ponto final de um ciclo marcado por improviso, insegurança e baixa confiança interna. A CBF optou pela demissão do treinador ainda em março.

A chegada de Carlo Ancelotti e a reconstrução

A partir de maio, a Seleção iniciou uma nova etapa com a chegada de Carlo Ancelotti, quarto técnico do Brasil desde a Copa de 2022. Com pouco tempo e pressão máxima, o treinador italiano assumiu a missão de reconstruir a equipe em meio ao calendário apertado e à cobrança por resultados imediatos.

Em oito partidas disputadas ao longo de quatro datas Fifa, o Brasil somou quatro vitórias, dois empates e duas derrotas, com 14 gols marcados e apenas cinco sofridos — aproveitamento de 58,3%. Mais do que os números, o período foi marcado por testes em larga escala: 48 jogadores convocados, 42 utilizados e nenhuma escalação repetida, evidenciando uma fase clara de observação.

Houve sinais positivos, como a goleada por 5 a 0 sobre a Coreia do Sul e a vitória consistente por 2 a 0 diante do Senegal, que indicaram uma equipe mais intensa e vertical. Em contrapartida, derrotas como a sofrida para o Japão e o tropeço contra a Tunísia expuseram fragilidades defensivas e dificuldades quando o Brasil precisou propor o jogo.

Identidade em construção

Taticamente, Ancelotti encontrou no 4-2-4 o desenho mais compatível com o elenco disponível, apostando na movimentação constante do quarteto ofensivo e em volantes capazes de dar sustentação e saída de bola. Ainda assim, posições seguem indefinidas, especialmente as laterais e o comando de ataque, diante da ausência de um camisa 9 consolidado.

Algumas certezas começaram a surgir. Bruno Guimarães esteve presente em todas as partidas sob o novo comando, enquanto nomes como Vinícius Júnior e Rodrygo ganharam protagonismo ofensivo. O grande destaque, porém, foi o surgimento de Estêvão, artilheiro do período com cinco gols e símbolo de uma renovação que começa a ganhar corpo.

A incógnita chamada Neymar

Se um novo protagonista desponta, o maior ponto de interrogação segue sendo Neymar. Após temporadas marcadas por lesões e instabilidade, o atacante terminou 2025 em recuperação de um procedimento cirúrgico no joelho. Não há garantia sequer de presença na lista final da Copa, quanto mais de protagonismo. Caso consiga recuperar o alto nível, pode ser uma alternativa importante; caso contrário, o Brasil seguirá aprendendo a jogar sem ele — um processo ainda incompleto.

O cenário internacional e 2026

Diferentemente de Copas passadas, o Brasil não chega a 2026 como favorito. Esse posto hoje pertence, com mais clareza, à Argentina campeã do mundo e à França vice. O sorteio colocou a Seleção no Grupo C, ao lado de Marrocos, Escócia e Haiti. Avançar é obrigação; qualquer tropeço será tratado como fracasso.

Ao fim de 2025, a Seleção Brasileira é melhor do que aquela que começou o ano, mas ainda distante do ideal. Há base encaminhada, ambiente mais estável e ideias mais claras, embora o curto tempo restante até o Mundial imponha limites severos ao processo.

Entre dúvidas e esperanças, o Brasil inicia 2026 sem o peso do favoritismo, mas com a responsabilidade histórica de transformar um ciclo de reconstrução em competitividade real. Sob o comando de Carlo Ancelotti, a Amarelinha tenta, mais uma vez, reencontrar o caminho que a leve ao topo do futebol mundial.


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