Do asfalto ao mar: assalto a banhistas expõe falência do discurso de segurança em São Paulo
Um casal foi assaltado e agredido por criminosos em jet ski durante um passeio de caiaque em São Vicente, em plena luz do dia
Um casal foi assaltado e agredido por criminosos em jet ski durante um passeio de caiaque em São Vicente, em plena luz do dia. O caso expõe a sensação crescente de insegurança em São Paulo, que já não se limita às ruas.
O QUE ACONTECEU
O passeio parecia banal e seguro. Em um domingo de mar calmo, sob céu aberto, um casal remava tranquilamente em um caiaque, a poucos metros da areia, na Praia dos Milionários, em São Vicente, no litoral paulista. A cena mudou em segundos. Dois homens se aproximaram em um jet ski, puxaram um dos remos e passaram a agredir e ameaçar o casal com o próprio objeto. Sob violência, as vítimas foram obrigadas a entregar alianças de ouro avaliadas em cerca de R$ 17 mil. O homem ainda foi atingido durante a ação. Após o roubo, os criminosos aceleraram mar adentro e desapareceram. Toda a abordagem foi registrada por um banhista e as imagens circularam nas redes sociais. O casal procurou a polícia e denunciou o crime.
O episódio, chocante por ocorrer em pleno mar, ajuda a ilustrar a distância entre o discurso oficial e a realidade da segurança pública em São Paulo. Desde o início do mandato, o governador Tarcísio de Freitas repete que a área é prioridade absoluta de sua gestão. Na prática, até recentemente, a política adotada esteve ancorada no enfrentamento ostensivo, especialmente no período em que a Secretaria de Segurança Pública esteve sob o comando do Capitão Derrite — policial afastado da Rota por excesso de letalidade.
Os números expõem os limites desse modelo. A letalidade policial voltou a crescer de forma expressiva, com alta de 64% apenas neste ano, somando-se a um aumento superior a 80% já registrado no ano anterior, em comparação com 2023, primeiro ano do atual governo. O feminicídio também segue em curva ascendente. Ainda assim, o governo insiste na narrativa de que São Paulo está mais seguro, contrariando a percepção cotidiana da população.
O assalto no litoral não é um caso isolado, mas um símbolo de um estado onde a sensação de insegurança ultrapassou ruas e avenidas e chegou até ao mar. A retórica dura, associada a práticas policiais marcadas pela violência, não tem se traduzido em proteção efetiva ao cidadão. Ao contrário, reforça um cenário em que o medo se espalha, enquanto políticas estruturais de prevenção, inteligência e investigação seguem em segundo plano.
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