Dilma Rousseff estava certa: Brasil vai "estocar vento"
O governo federal publicou as diretrizes para o primeiro leilão de armazenamento de energia em baterias do país
O governo federal deu um passo histórico na modernização do setor elétrico brasileiro ao publicar as diretrizes para o primeiro leilão de armazenamento de energia em baterias do país. A medida, anunciada pelo Ministério de Minas e Energia (MME), permitirá a contratação em larga escala de sistemas capazes de armazenar energia produzida por fontes renováveis, como solar e eólica, e disponibilizá-la nos momentos de maior demanda.
O leilão será realizado em dezembro de 2026 e representa uma das principais apostas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ampliar a segurança energética, fortalecer a transição para uma matriz mais limpa e estimular a indústria nacional de equipamentos estratégicos.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, as baterias terão papel fundamental para garantir maior estabilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN), permitindo que a energia gerada pelo vento e pelo sol seja armazenada e utilizada quando necessário.
“O Brasil dá mais um passo decisivo para modernizar o seu sistema elétrico. O leilão de baterias permitirá armazenar energia e entregá-la nos momentos em que o sistema mais precisa”, afirmou o ministro.
Como funcionará o leilão de baterias
O certame será dividido em duas etapas. A primeira será destinada a projetos que utilizem equipamentos com conteúdo nacional credenciado pelo BNDES. A segunda ficará aberta a todos os empreendimentos de armazenamento em baterias.
Os contratos terão duração de 15 anos, com início do fornecimento previsto para agosto de 2028. Entre os requisitos técnicos estão potência mínima de 30 MW, autonomia de pelo menos quatro horas e eficiência operacional superior a 85%.
A expectativa do governo é que a iniciativa aumente a confiabilidade do sistema elétrico, reduza desperdícios de energia renovável e contribua para a expansão sustentável da matriz energética brasileira.
"Chegou o momento que Dilma tanto sonhou"
O anúncio também resgatou uma das declarações mais comentadas da ex-presidente Dilma Rousseff.
Ao comentar a criação do leilão, Alexandre Silveira afirmou que a política de armazenamento de energia concretiza uma visão defendida por Dilma há mais de uma década.
“Chegou o momento que a presidente Dilma tanto sonhou”, escreveu o ministro nas redes sociais.
A referência remete a uma entrevista concedida por Dilma em 2015, durante uma agenda na sede da ONU, em Nova York. Na ocasião, ao defender o avanço das energias renováveis, a então presidente afirmou que o Brasil ainda não possuía tecnologia para "estocar vento". A declaração foi amplamente ridicularizada por adversários políticos e virou alvo de memes nas redes sociais.
Anos depois, entretanto, o avanço tecnológico transformou exatamente essa ideia em uma das maiores prioridades da transição energética mundial. Sistemas de armazenamento em baterias passaram a ser considerados essenciais para aproveitar melhor a energia produzida por fontes renováveis, cuja geração varia conforme as condições climáticas.
Já na presidência do Banco dos Brics, Dilma voltou a defender a importância da tecnologia de armazenamento. Durante evento realizado no Rio de Janeiro, ela relembrou a polêmica e afirmou:
“Lembro que disse que tinha que armazenar vento e sol. Pois muito bem, saibam que essa é uma das áreas mais importantes para resolver problemas energéticos atuais.”
Para Alexandre Silveira, a implementação do primeiro leilão de baterias do Brasil demonstra que a visão defendida por Dilma estava alinhada às tendências que hoje moldam o setor elétrico global.
“Ela estava certa. Estamos criando as condições para armazenar a energia gerada pelo vento e pelo sol, exatamente como previu anos atrás”, declarou o ministro.
Com a medida, o Brasil passa a integrar o grupo de países que utilizam sistemas de armazenamento em larga escala para aumentar a segurança energética e ampliar a participação das fontes renováveis na matriz elétrica.
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