Derrite muda parecer, mas segue protegendo o crime organizado, diz Lindbergh
Líder do PT afirma que alterações no PL Antifacção são cosméticas e mantêm tentativa de controle político sobre a PF, que divulga nota contra o texto
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT na Câmara, elevou o tom das críticas ao novo parecer apresentado pelo relator Guilherme Derrite (PP-SP) no debate do chamado PL Antifacção. Para ele, as mudanças divulgadas “não alteram em nada a essência autoritária do projeto”, que, em sua avaliação, mantém o objetivo de “subordinar a Polícia Federal a interesses políticos”.
Segundo o parlamentar, o texto busca “domesticar a PF” ao limitar sua autonomia operacional. Lindbergh recordou a frase de Lampedusa — “algo deve mudar para que tudo continue como está” — para descrever o que considera uma manobra cosmética. Ele apontou que, pela redação proposta, a Polícia Federal só poderia agir mediante solicitação de governos estaduais ou, nos casos em que tomasse a iniciativa, deveria comunicar previamente sua atuação. “Querem impedir operações surpresa. Estão com medo?”, afirmou.
Lindbergh também chamou atenção para o que classifica como tentativa de “blindagem ao crime organizado”. O relatório de Derrite equipara facções, milícias, tráfico e grupos paramilitares ao terrorismo — medida que, segundo o líder petista, pode servir para travar investigações sensíveis e proteger agentes políticos vinculados a estruturas criminosas. “Há um braço político do crime interessado em controlar contratos, verbas e operações que investigações como a Carbono Oculto começaram a expor”, disse. “A matança de anônimos virou cortina de fumaça para esconder alianças entre poder e crime. O Brasil não vai aceitar esse golpe de impunidade.”
As críticas do deputado ganharam respaldo institucional após a divulgação de nota oficial da Polícia Federal, que manifestou preocupação com os efeitos do relatório sobre o combate ao crime organizado.
Na manifestação, a PF destacou que o projeto original enviado pelo governo buscava fortalecer as instituições responsáveis pelo enfrentamento a organizações criminosas. No entanto, avaliou que as modificações inseridas no parecer em debate “comprometem o interesse público” ao restringir a autonomia operacional da corporação. A instituição alertou que, se aprovado como está, o texto poderá inviabilizar ou limitar operações de grande porte, como a realizada em agosto passado, considerada a maior ação contra o crime organizado na história do país.
A nota reforça que a Polícia Federal defenderá suas prerrogativas constitucionais e sua autonomia funcional para garantir o combate eficaz à corrupção, ao tráfico de drogas, ao desvio de recursos públicos e a outras atividades criminosas de alto impacto.
O PL Antifacção se consolidou como um dos temas mais sensíveis do Congresso. Juristas e parlamentares da base governista alertam que o relatório de Derrite amplia o risco de politização das forças de segurança e enfraquece a PF justamente em um momento de expansão das redes do crime organizado no território nacional.
Com o acirramento das críticas — tanto da cúpula da PF quanto de lideranças políticas como Lindbergh Farias — cresce a pressão para que o Congresso rejeite o parecer atual e preserve o papel constitucional da Polícia Federal como instituição de Estado, independente, com capacidade de atuação nacional e central no enfrentamento ao crime organizado no Brasil.
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