Segurança Pública

Decisão do TJ-PI pode levar à soltura de Alandilson Cardoso e outros 16 réus

Alandilson Cardoso, namorado da vereadora Tatiana Medeiros, está preso desde março de 2025, quando foi detido em Minas Gerais.


Reprodução Decisão do TJ-PI pode levar à soltura de Alandilson Cardoso e outros 16 réus
Alandilson Cardoso

Uma decisão do Tribunal de Justiça do Piauí (TJ-PI) que considerou ilícitas as provas centrais da denúncia contra Alandilson Cardoso e outros 16 réus pode resultar na libertação dos acusados. O entendimento é de advogados ligados à Secretaria de Justiça do Estado, após o cancelamento das audiências de instrução e julgamento que ocorreriam nesta semana.

As sessões foram suspensas na terça-feira (30), após concessão de habeas corpus que inviabilizou a continuidade do processo. A decisão judicial considerou ilegal o uso de um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) apresentado pela acusação. Com base no princípio jurídico da "teoria dos frutos da árvore envenenada", todas as provas derivadas do documento também foram invalidadas.

Diante disso, a ação penal só poderá prosseguir caso o Ministério Público do Piauí (MPPI) apresente novas provas autônomas — ou seja, que não tenham relação com o relatório considerado ilícito.

Especialistas apontam dois possíveis desdobramentos:

  1. Apresentação de novas provas lícitas e continuidade do processo;

  2. Ausência de novos elementos, levando à extinção da ação penal sem julgamento de mérito e consequente soltura dos réus.

Até o momento, o MPPI não se manifestou oficialmente sobre a existência de outras provas capazes de sustentar a acusação. Sem elas, o processo perde a justa causa e os réus podem ser liberados.

Situação de Alandilson Cardoso

Alandilson Cardoso está preso desde março de 2025, quando foi detido em Minas Gerais. Em junho, foi transferido para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) após suspeita de manter contato telefônico com a vereadora Tatiana Medeiros enquanto estava custodiado. Tatiana, que é sua companheira, foi presa preventivamente em abril, mas cumpre atualmente prisão domiciliar por razões de saúde.

De acordo com investigações da Polícia Federal, a campanha eleitoral que elegeu Tatiana em 2024 teria sido financiada com recursos de uma facção criminosa. Ambos também são réus em um processo paralelo por corrupção eleitoral.

A decisão da Vara de Delitos de Organização Criminosa determina que o Ministério Público avalie a possibilidade de seguir com a ação com base apenas em provas consideradas lícitas.

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