De aliado de Bolsonaro a candidato de Lula: quem é Gelson Merisio, pré-candidato ao governo de SC
Gelson Merisio estava confirmado no voo da Chapecoense que caiu na Colômbia, matando 71 pessoas, mas desistiu da viagem poucas horas antes do embarque
Gelson Merisio, empresário, ex-bolsonarista e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), é a principal aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do campo da esquerda para tentar vencer as eleições ao governo de Santa Catarina em 2026. Após romper com o bolsonarismo, o político se aproximou de Lula e do PT, coordenou a campanha de Décio Lima em 2022 e hoje lidera uma ampla aliança formada por PSB, PT, PDT e PSOL no estado.
Natural de Xaxim, no Oeste catarinense, Gelson Luiz Merisio nasceu em 31 de janeiro de 1966. Formado em Administração de Empresas pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), construiu trajetória tanto no setor empresarial quanto na política. Casado com Márcia Merisio e pai de dois filhos, iniciou sua vida pública ainda na adolescência, quando foi presidente do grêmio estudantil e se destacou também como enxadrista, conquistando o primeiro lugar nos Jogos Abertos de Santa Catarina (Jasc) de 1979.
A carreira política começou cedo. Aos 22 anos, foi eleito o vereador mais votado de Xanxerê e, durante o mandato, assumiu a presidência da Câmara Municipal. Em 2002, tornou-se deputado estadual na condição de suplente e, posteriormente, conquistou mandatos próprios nas eleições de 2006, 2010 e 2014 para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
Na Alesc, Merisio ganhou projeção ao defender medidas de controle dos gastos públicos e modernização administrativa. Entre as iniciativas de sua gestão estão a criação da Controladoria da Assembleia, a redução do quadro de servidores e o endurecimento das regras para concessão de diárias e despesas do Legislativo.
Além da atuação parlamentar, acumulou experiência no setor empresarial. Presidiu a Associação Comercial e Industrial de Xanxerê (Acix), a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) e o Conselho Deliberativo do Sebrae-SC. Também foi vice-presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e diretor financeiro da Casan durante o governo de Esperidião Amin.
Depois de ficar oito anos afastado das disputas eleitorais, Merisio voltou ao cenário político em 2026. Segundo ele, o período longe das urnas foi dedicado à família e aos negócios.
De aliado de Bolsonaro a defensor de Lula
Um dos aspectos que mais chama atenção em sua trajetória é a mudança de posicionamento político. Em 2018, Gelson Merisio declarou apoio à candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência. Entretanto, após a pandemia de Covid-19, afirmou ter se decepcionado com a condução do governo federal e também criticou a falta de atenção às demandas específicas de Santa Catarina.
A aproximação com o PT ocorreu nas eleições de 2022, quando coordenou a campanha de Décio Lima ao governo catarinense. Desde então, estreitou relações com o presidente Lula.
Em entrevistas recentes, Merisio revelou que só conheceu Lula pessoalmente em 2022 e afirmou ter mudado completamente sua percepção após uma conversa de quase duas horas com o presidente.
"Lula é um patrimônio do Brasil. Está com 80 anos e tem a vitalidade de um homem de 60."
O pré-candidato também declarou que atualmente pede votos para Lula em todos os seus discursos, consolidando sua posição como principal representante do campo lulista em Santa Catarina.
Pré-candidato ao governo de Santa Catarina
Para a eleição de 2026, Gelson Merisio disputa o governo pelo PSB, partido ao qual se filiou após deixar o Solidariedade. Sua chapa tem como pré-candidata a vice-governadora Angela Albino e reúne praticamente todas as forças da esquerda catarinense.
Polêmicas envolvendo hidrelétricas
A trajetória de Merisio também foi marcada por controvérsias. Reportagem publicada pelo The Intercept Brasil apontou que o político e pessoas ligadas à sua família teriam participação em empresas relacionadas a pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), algumas beneficiadas por incentivos fiscais concedidos durante governos estaduais. Merisio sempre negou irregularidades, e o caso permaneceu no campo das denúncias jornalísticas.
O voo da Chapecoense
Outro episódio marcante ocorreu em 2016. Gelson Merisio estava confirmado no voo da Chapecoense que caiu na Colômbia, matando 71 pessoas, mas desistiu da viagem poucas horas antes do embarque. Seu nome chegou a aparecer entre os passageiros e foi inicialmente citado entre as vítimas. Posteriormente, participou das homenagens às vítimas da tragédia, episódio que passou a integrar sua trajetória pública.
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