Da prisão política ao carnaval de rua: Nelsinho não morreu na ditadura, mas sucumbiu às sequelas de um AVC
Em entrevistas, afirmava que não foi morto em razão do prestígio do pai junto aos militares
Nelsinho Rodrigues morreu aos 79 anos, no Rio de Janeiro, após enfrentar sequelas de um AVC. Filho de Nelson Rodrigues, construiu trajetória própria no teatro e se tornou um dos nomes centrais da retomada do carnaval de rua com a criação do Bloco do Barbas, em 1985. Militante do MR-8 durante a ditadura, deixou legado que uniu cultura, irreverência e engajamento político.
O QUE ACONTECEU
O dramaturgo e produtor cultural Nelsinho Rodrigues morreu na madrugada desta quarta-feira (25), no Rio de Janeiro, aos 79 anos. Ele enfrentava, desde 2016, sequelas de um acidente vascular cerebral (AVC). A informação foi divulgada pela coluna de Ancelmo Gois, do jornal O Globo.
Filho do escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, Nelsinho construiu trajetória própria no teatro e na produção cultural carioca. Atuou como diretor, roteirista e articulador de projetos que movimentaram a cena artística da cidade. Seu nome, no entanto, ficou definitivamente associado ao carnaval de rua do Rio, especialmente à criação do Bloco do Barbas.
Fundado em 1985, em Botafogo, o bloco nasceu de encontros entre jornalistas, artistas e intelectuais no restaurante Barbas, na Rua Álvaro Ramos. Com marchinhas autorais, forte teor de sátira política e humor crítico, o cortejo ajudou a impulsionar a retomada do carnaval de rua nos anos 1980, período em que a festa ainda buscava se reorganizar após décadas de esvaziamento. O desfile, tradicionalmente realizado no sábado de carnaval, consolidou-se como um dos mais emblemáticos da cidade, conhecido também pelo banho de caminhões-pipa que se tornou marca registrada.
Além da atuação cultural, Nelsinho teve trajetória política marcada pela militância. Durante a ditadura militar, integrou o MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e permaneceu preso por sete anos. Em entrevistas, afirmava que não foi morto em razão do prestígio do pai junto aos militares.
Torcedor declarado do Fluminense Football Club, teve a morte lamentada pelo clube nas redes sociais. Ao longo de décadas, Nelsinho Rodrigues uniu cultura, irreverência e engajamento político, deixando marca na história do teatro e do carnaval carioca.
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