Política

CRISE NAS ELEIÇÕES DE MG: Cleitinho pode deixar o Republicanos em meio à disputa pelo governo

Ele afirma que continuará pré-candidato e que vai conversar com o Republicanos mas interlocutores avaliam que a relação entre o senador e o partido a chegou a um ponto de difícil reconciliação


Reprodução CRISE NAS ELEIÇÕES DE MG: Cleitinho pode deixar o Republicanos em meio à disputa pelo governo
Senador mineiro Cleitinho

O senador Cleitinho Azevedo enfrenta seu momento político mais delicado desde que passou a liderar as pesquisas para o governo de Minas Gerais. Barrado pelo Republicanos na corrida eleitoral de 2026, o parlamentar tenta reverter a decisão da direção nacional do partido, mas aliados admitem que as chances de uma mudança de posição são pequenas. Nos bastidores, cresce a expectativa de que ele deixe a legenda nas próximas semanas.

Apesar de afirmar publicamente que continuará pré-candidato ao Palácio da Liberdade e de prometer conversar diretamente com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, interlocutores avaliam que a relação entre o senador e a cúpula partidária chegou a um ponto de difícil reconciliação.

PL surge como principal destino de Cleitinho

Diante do desgaste com o Republicanos, o Partido Liberal (PL) aparece como o destino mais provável para Cleitinho. Nos últimos dias, o senador conversou com o deputado federal Nikolas Ferreira e com o senador Flávio Bolsonaro em busca de apoio político para manter seu projeto de disputar o governo mineiro.

Embora não tenha obtido um compromisso concreto, aliados afirmam que Cleitinho saiu satisfeito das conversas. O PL já havia convidado o senador para se filiar em outras ocasiões, e agora a legenda é vista como a principal alternativa para sustentar sua trajetória política.

Crise política provoca desgaste interno

Mesmo permanecendo na liderança das pesquisas de intenção de voto, Cleitinho passou a enfrentar questionamentos dentro do campo da direita. Lideranças do Republicanos, do PL e da federação União Progressista avaliam que a demora do senador em confirmar sua candidatura gerou insegurança e prejudicou a organização das chapas proporcionais e das alianças municipais.

Nos bastidores, dirigentes afirmam que as mudanças de posicionamento do parlamentar dificultaram o planejamento eleitoral e atrasaram a montagem da estratégia para a disputa em Minas Gerais.

Esse cenário contribuiu para que o Republicanos encerrasse o apoio à pré-candidatura de Cleitinho e passasse a defender o nome de Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil do governo Romeu Zema, como representante da direita no estado.

Republicanos diz que candidatura está encerrada

A crise ganhou novos capítulos quando o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, declarou à GloboNews que Cleitinho não será candidato ao governo de Minas em 2026.

Pouco depois da entrevista, a assessoria do senador divulgou uma nota contestando a posição do partido e reafirmando que ele seguirá na disputa pelo Palácio da Liberdade.

Em comunicado oficial, o Republicanos afirmou que a ausência de Cleitinho na convenção estadual da legenda foi determinante para o rompimento. Segundo o partido, faltou ao senador uma manifestação clara de que desejava disputar a eleição.

Pesquisa fortalece discurso do senador

O impasse ocorre justamente após a divulgação de uma pesquisa Quaest que aponta Cleitinho na liderança em todos os cenários para o governo de Minas Gerais, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Aliados do senador sustentam que ele continua sendo o nome mais competitivo da direita no estado e acusam o Republicanos de abandonar justamente o candidato com maior potencial eleitoral.

Vídeo com inteligência artificial amplia repercussão

Na véspera da decisão do partido, Cleitinho publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial em que imagens recriadas digitalmente de seu pai e de seu irmão, Mateus Azevedo — falecido recentemente em decorrência de leucemia — aparecem incentivando o senador a seguir em frente.

Embora o parlamentar tenha tratado a publicação como uma mensagem de motivação, integrantes do Republicanos interpretaram o conteúdo como mais um sinal de indefinição sobre sua candidatura.

Impasse jurídico dificulta mudança de legenda

A situação também envolve um obstáculo jurídico. Pela legislação eleitoral, os candidatos precisavam estar filiados ao partido pelo qual disputarão a eleição até seis meses antes do pleito, prazo encerrado em 4 de abril de 2026.

Como Cleitinho estava filiado ao Republicanos nessa data, apenas a legenda pode registrar sua candidatura ao governo mineiro. Caso deixe o partido agora, ele poderá preservar o mandato de senador, mas ficaria impedido de disputar o Executivo estadual em 2026.

Republicanos e PL articulam apoio a Marcelo Aro

Enquanto Cleitinho tenta reverter sua situação, Republicanos e PL avançam na construção de uma candidatura alternativa. A direção das duas legendas já manifestou apoio a Marcelo Aro, ex-secretário de Romeu Zema e vice-presidente nacional do Progressistas.

A definição foi discutida em reunião entre Marcos Pereira, Flávio Bolsonaro e Marcelo Aro, consolidando uma nova articulação da direita mineira para as eleições de 2026.

PL critica demora de Cleitinho

Nos bastidores, dirigentes do PL demonstram insatisfação com a condução do processo pelo senador. A legenda pretendia definir rapidamente o palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais, considerado um dos estados estratégicos para a eleição presidencial.

Segundo interlocutores do partido, a demora de Cleitinho comprometeu o planejamento eleitoral. Lideranças afirmam que o senador "perdeu o timing" e mudou de posição diversas vezes ao longo das negociações, reduzindo a confiança dos aliados.

Com Republicanos e PL alinhados em torno de Marcelo Aro, Cleitinho segue tentando manter viva sua candidatura, mas enfrenta um cenário político e jurídico cada vez mais complexo às vésperas da campanha eleitoral em Minas Gerais.

"Fica rico, fica pobre" 

A crise envolvendo Cleitinho também repercutiu entre adversários políticos. A deputada estadual Bella Gonçalves (PT-MG) ironizou a indefinição do senador ao afirmar que sua situação "parece aquela cena de filme: fica rico, fica pobre" e disse estar cansada da "novela". Para a parlamentar, o senador demonstra receio de assumir a responsabilidade de governar Minas Gerais. "Na real, acho que ele tem medo de ganhar a eleição. Porque uma coisa é fazer vídeo furando pedágio. Outra é ter que resolver a dívida pública e a miséria de Minas Gerais de verdade", afirmou. Bella ainda destacou que uma representação apresentada pelo PT ao Tribunal de Contas contribuiu para paralisar o projeto de pedágios no Vetor Norte e avaliou que, enquanto Cleitinho enfrenta dificuldades para definir seu futuro político e a direita se fragmenta em torno de nomes como Marcelo Aro e Mateus Simões, o PT mantém sua estratégia para a disputa estadual, defendendo a pré-candidatura de Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais, a quem chamou de "o Lula de Minas Gerais".

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