"Covarde", assim diretor da PF chamou Eduardo Bolsonaro
Andrei Rodrigues reage a ameaças de Eduardo Bolsonaro à agentes federais e ao STF
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, repudiou as declarações de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) que, em uma live transmitida neste domingo (20), ameaçou diretamente agentes da corporação e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). As falas do deputado licenciado ocorrem no contexto de crescente tensão entre o governo brasileiro e os Estados Unidos, que vêm adotando medidas retaliatórias, como a imposição de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras e a revogação de vistos de entrada de ministros do STF.
Durante a transmissão ao vivo, Eduardo Bolsonaro fez menção ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em tom ameaçador, o deputado afirmou: "Cachorrinho da Polícia Federal que tá me assistindo, deixa eu saber não. Se eu ficar sabendo quem é você... ah, eu vou me mexer aqui. Pergunta ao tal delegado Fábio Alvarez Shor se ele conhece a gente…"
A resposta de Andrei Rodrigues veio em entrevista à jornalista Andreia Sadi, do portal G1. “Estou indignado com mais essa covarde tentativa de intimidação aos servidores policiais. Nenhum investigado intimidará a Polícia Federal”, afirmou o diretor da corporação.
Antes das ameaças à PF, Eduardo Bolsonaro já havia atacado duramente o ministro Alexandre de Moraes. “O ideal seria ele fora do STF. Trabalharei para isso também, tá, Moraes? Quando a gente fala que o visto é só o começo, é porque o nosso objetivo será te tirar da Corte. Você não é digno de estar no topo do poder judiciário. Eu estou disposto a me sacrificar para levar essa ação adiante”, disse o parlamentar.
Na sequência, desafiou diretamente Moraes: “Não gostou? Coloca o Trump junto na investigação, coloca toda nossa quadrilha aqui do Marco Rubio e manda a Interpol vir pegar a gente. Seus argumentos são rasos, você não consegue nem se expressar direito. Você é medíocre com a caneta na mão.”
A live ainda contou com um momento constrangedor: Eduardo expôs sua filha de 4 anos, que segurava bandeiras do Brasil e dos EUA. Ele perguntou: “O papai é o quê?”. A criança, inicialmente, respondeu “animal”, e depois “herói”, ao que pai e filha entoaram uma canção.
Ao final, Eduardo Bolsonaro declarou: “Vocês acham mesmo que eu vou forçar minha família a entrar numa cadeia? Prefiro morrer aqui no exílio.”
Apesar das declarações, o deputado reafirmou que não pretende renunciar ao mandato. Eduardo está licenciado desde março deste ano, alegando perseguição política, e reside atualmente nos Estados Unidos. No entanto, a licença de 120 dias chegou ao fim neste domingo (20). Conforme o Regimento Interno da Câmara dos Deputados, a ausência sem justificativa pode levar à cassação do mandato.
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