Meio Ambiente

COP30: Piauí apresenta plano climático para neutralidade de carbono

Estratégias do Piauí incluem energias renováveis, combate ao desmatamento e adaptação climática com foco em justiça socioambiental.


Reprodução COP30: Piauí apresenta plano climático para neutralidade de carbono
Piauí lança plano climático para neutralidade de carbono

O Plano Estadual de Ação Climática do Piauí (PLAC), lançado recentemente pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), define as diretrizes para que o estado alcance a neutralidade de carbono até 2050, consolidando-se como referência em resiliência climática e transição energética limpa. O documento estabelece metas, ações e mecanismos de governança voltados à redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e à adaptação aos impactos do aquecimento global, com ênfase na justiça socioambiental e no desenvolvimento sustentável.

Entre as principais metas estão:

  • a eliminação total das emissões líquidas de GEE até 2050;

  • a universalização da coleta e do tratamento de esgoto;

  • a restauração de 80% das áreas degradadas;

  • e o fim do desmatamento ilegal.

O plano também prevê a expansão do uso de energias renováveis, especialmente solar e eólica — setores nos quais o Piauí já se destaca nacionalmente —, além do fortalecimento da bioeconomia e da agricultura de baixo carbono.

A estratégia do PLAC se organiza em quatro eixos estruturantes:

  1. Resiliência e Adaptação Climática – voltado ao monitoramento de eventos extremos e à segurança hídrica;

  2. Descarbonização Justa e Ecossistema Equilibrado – com foco no reflorestamento, no combate ao desmatamento e no manejo sustentável;

  3. Economia Circular, Energia Renovável e Sustentabilidade Produtiva – para impulsionar a transição verde com geração de empregos e inovação;

  4. Governança Climática e Justiça Socioambiental – assegurando participação popular e inclusão das comunidades vulneráveis.

Entre os desafios identificados, destacam-se as condições do semiárido, o avanço da desertificação e o crescimento das emissões do setor agropecuário. O documento aponta que 70% das emissões do Piauí decorrem da mudança no uso da terra, principalmente do desmatamento. Por isso, o plano prioriza ações como reflorestamento, regularização fundiária e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

A participação do Piauí na 30ª Conferência das Partes (COP30), em Belém (PA), será um marco importante para a formação de parcerias e a captação de investimentos internacionais voltados aos projetos de energia limpa e mitigação climática.

No evento, o governador Rafael Fonteles apresentará, na terça-feira (11), o painel “Plano de Ação Climática, REDD+ Jurisdicional e Transição Energética no Estado do Piauí”, ao lado de Rodrigo Perpétuo (ICLEI América do Sul), Divaldo Rezende (Tocantins) e Enric Arderiu (Mercuria), no Pavilhão Brasil (Zona Azul). Entre os destaques está o avanço expressivo do estado na produção de energia renovável — atualmente, 99,75% da energia gerada no Piauí é de fontes eólica e solar.

Resultado de um processo amplo, participativo e descentralizado, o PLAC contou com mais de 300 contribuições e oficinas em todos os 12 territórios de desenvolvimento do estado. Com isso, o Piauí reforça sua liderança climática no Nordeste e seu alinhamento às metas globais do Acordo de Paris e da Agenda 2030 da ONU.

“O PLAC simboliza o compromisso do Estado com a transformação necessária para enfrentar a crise climática e promover um novo modelo de desenvolvimento”, destaca o governador Rafael Fonteles.

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