Congresso em xeque: Motta e Alcolumbre entre a institucionalidade e o avanço golpista
O que farão Hugo Motta e Davi Alcolumbre após retomarem o controle do Congresso?
Depois de enfrentarem um dos episódios mais tensos da atual legislatura, os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), conseguiram retomar o controle do Congresso Nacional. Mas a pergunta que paira sobre Brasília nesta quinta-feira (7) é: o que farão agora?
Na Câmara, foram mais de 30 horas de tumulto, com parlamentares da extrema direita ocupando ilegalmente a Mesa Diretora, impedindo o início da primeira sessão do segundo semestre. O estopim foi a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Inconformados, deputados do PL, Novo e aliados exigiram a inclusão na pauta de dois temas explosivos: a anistia aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.
Na noite de quarta-feira (6), Hugo Motta conseguiu reassumir a presidência da sessão plenária, após intensa resistência e enfrentando até barreiras físicas de bolsonaristas como Marcel van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS). Do alto da cadeira de presidente, Motta foi categórico: “Projetos individuais ou até eleitorais não podem estar acima do que é maior que todos nós: o povo brasileiro.”
Apesar do tom firme, o clima político ficou turvo. Isso porque, logo após a retomada dos trabalhos, parlamentares bolsonaristas — liderados por nomes como Alexandre Ramagem (PL-RJ) e Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) — afirmaram publicamente que houve um acordo com o presidente da Câmara para pautar já na próxima semana a anistia aos “presos políticos” e o fim do foro privilegiado.
Segundo eles, Motta teria negociado com partidos do centrão — como PP e União Brasil — a votação das pautas exigidas em troca do fim da ocupação da Mesa Diretora. “É uma grande vitória”, comemorou Ramagem, mesmo com a retirada forçada de seus colegas do plenário.
Mas o suposto acordo foi rapidamente desmentido. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), que participou de todas as reuniões de líderes com Hugo Motta, negou qualquer compromisso nesse sentido. “Eles perderam. Inventaram esse acordo para não sair desmoralizados”, afirmou o petista, que anunciou ainda que representará os deputados golpistas no Conselho de Ética.
Enquanto isso, no Senado, Davi Alcolumbre assistia aos desdobramentos sem se envolver diretamente — mas com um problema à espreita: a pressão bolsonarista por uma ofensiva contra o STF também está presente na Casa Alta. Assim como Motta, Alcolumbre poderá ser cobrado a se posicionar, especialmente se pautas como o impeachment de Moraes chegarem à sua mesa.
O impasse, agora, é político e institucional. Hugo Motta e Davi Alcolumbre resistirão às chantagens da extrema direita ou cederão à pressão de parte do centrão, que flerta com o bolsonarismo em nome de interesses eleitorais e corporativos?
O Congresso voltará a funcionar sob o império da legalidade ou a nova temporada legislativa será marcada pela instabilidade, barganhas e tentativas de imposição de uma agenda antidemocrática?
O recado de Motta foi duro — mas ambíguo. Ele afirmou que a Câmara não será palco de chantagens, mas, ao mesmo tempo, autorizou líderes aliados a abrirem diálogo sobre a pauta bolsonarista. A linha entre resistência institucional e pragmatismo político nunca pareceu tão tênue.
Por ora, a dúvida persiste: o que farão, de fato, os presidentes das duas Casas após retomarem seus postos? Capitularão diante da pressão ou reafirmarão a autoridade democrática do Congresso?
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