Ciro Nogueira é flagrado em aeroporto com investigados na Carbono Oculto 86
Um dos alvos da Polícia Civil do Piauí, empresário Haran Sampaio transferiu R$ 230 mil para compadre do senador
O senador Ciro Nogueira foi visto em Brasília com empresários investigados por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a postos de combustíveis. A apuração envolve transações financeiras, venda de redes de postos e possíveis conexões com empresas e fundos sob investigação policial.
O que aconteceu
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi visto na noite de quinta-feira (5), no aeroporto de Brasília, em conversa com os empresários Haran Santhiago Girão Sampaio e Danilo Coelho de Souza. Ambos são alvos da Operação Carbono Oculto 86, conduzida pela Polícia Civil do Piauí, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo postos de combustíveis que, segundo as autoridades, teriam atendido à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
Uma fotografia mostra o senador conversando com os empresários no aeroporto da capital federal. De acordo com apuração jornalística, os três embarcaram no mesmo voo com destino a Teresina. Haran Sampaio e Danilo Souza são ex-proprietários da rede de postos HD, apontada nas investigações como um possível núcleo do esquema no Piauí.
A Operação Carbono Oculto 86 foi deflagrada em novembro do ano passado e é um desdobramento de uma ação homônima realizada em agosto de 2025 pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Federal. A investigação paulista apurou a infiltração do PCC no setor de combustíveis e no sistema financeiro. Segundo as autoridades, o mesmo modelo de atuação teria sido replicado no Piauí por meio da rede HD. O número 86 foi acrescentado ao nome da operação em referência ao DDD do estado.
No curso da investigação, veio à tona uma transação financeira envolvendo Haran Sampaio e Victor Linhares de Paiva, ex-assessor, aliado político e compadre de Ciro Nogueira, que também foi alvo da operação. Sampaio teria pago R$ 230 mil a Linhares. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicam que, logo após receber o valor, Linhares transferiu a quantia para outra conta bancária de sua titularidade.
A suspeita dos investigadores é de que o pagamento tenha sido feito como intermediação na negociação de venda da rede de postos HD. A conta utilizada na transação foi aberta no BK Bank, fintech investigada por suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. A movimentação chamou a atenção da Polícia Civil por ter ocorrido em dezembro de 2023, mês em que a rede Postos HD foi vendida à empresa Pima Energia Participações.
Procurado, Haran Sampaio afirmou que o encontro com o senador foi casual. Segundo ele, durante o retorno a Teresina houve um encontro fortuito no embarque do aeroporto de Brasília, onde cumprimentou Ciro Nogueira e outras autoridades políticas que viajavam para o Piauí. O empresário disse ainda que não poderia comentar a transação com Victor Linhares, alegando já ter prestado esclarecimentos à polícia e citando o sigilo do processo.
O senador Ciro Nogueira também foi procurado para comentar o episódio. Até o momento, não houve manifestação.
As investigações também alcançaram a Pima Energia Participações, empresa que adquiriu a rede Postos HD. A companhia foi fundada em São Paulo apenas seis dias antes da compra. Para os investigadores, há indícios de que a operação tenha sido uma venda de fachada, já que teria ocorrido apenas a substituição de bandeira, de HD para Pima e Diamante, sem alteração operacional relevante. A suspeita é de que a empresa tenha sido criada especificamente para formalizar a transação.
Relatórios apontam ainda que um posto da rede Pima Energia, localizado em Teresina, realizou transferências que totalizaram R$ 63,9 mil para a empresa Ciro Nogueira Agropecuária Imóveis, incorporadora pertencente ao senador. Os repasses ocorreram em abril e maio de 2025 e constam em comunicações do Coaf.
À época da aquisição da rede HD, o único sócio da Pima Energia era o Jersey Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia. Esse fundo é administrado pela Altinvest Gestão e Administração de Recursos de Terceiros, empresa também citada nas investigações da Operação Carbono Oculto. Segundo o Ministério Público de São Paulo, a gestora e seus fundos estariam envolvidos em dinâmicas fraudulentas relacionadas ao sistema financeiro e a instituições de pagamento investigadas.
A Altinvest é liderada pelo empresário Rogério Garcia Peres e administra diversos fundos mencionados pelos promotores. Outras apurações indicam que empresas ligadas a Haran Sampaio e Danilo Souza já dividiram endereço com uma firma pertencente ao irmão do senador Ciro Nogueira e receberam recursos públicos provenientes da cota parlamentar. Também há registros de pagamentos de combustível usados para abastecer uma aeronave vinculada ao partido do senador.
As autoridades seguem analisando os vínculos financeiros e societários relacionados à rede de postos, aos fundos de investimento e às pessoas físicas citadas, enquanto os investigados afirmam colaborar com as apurações e aguardam o esclarecimento dos fatos.
Nota de esclarecimento da Altinvest e de Rogério Garcia Peres
A Altinvest repudia veementemente qualquer tentativa de associação de seu nome ou de seus executivos a atividades ilícitas. A gestora atua em plena conformidade com a legislação brasileira e com as normas da CVM e da ANBIMA, enviando regularmente todas as informações de seus fundos e cotistas aos órgãos competentes. Importante informar que o Fundo Jersey FIP, relacionado à Operação Carbono Oculto 86, foi oficialmente encerrado em 5 de maio de 2025, após a liquidação integral de seus ativos, conforme documentação e auditoria disponíveis. Cabe esclarecer também que Rogério Garcia Peres não é gestor ou administrador de fundos de investimento, exercendo apenas a função de administrador da Altinvest e de professor de Direito Tributário. Ressalta-se que ele é executivo com mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro e jamais teve qualquer envolvimento com o setor de combustíveis. A Altinvest e seus executivos seguem colaborando integralmente com as autoridades e confiam que todos os fatos serão devidamente esclarecidos.
Com informações do ICL
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