Política

Ciro Nogueira cogita retorno à base de Lula

Diante do fortalecimento de Lula no Piauí e incertezas sobre a direita em 2026, Ciro Nogueira adota postura pragmática e pode buscar reaproximação.


Reprodução Ciro Nogueira cogita retorno à base de Lula
Ciro Nogueira cogita retorno à base de Lula

Um movimento estratégico começa a ganhar forma na política piauiense: o senador Ciro Nogueira (PP) estaria cogitando uma reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caso não consiga viabilizar sua candidatura como vice-presidente em uma chapa da extrema-direita nas eleições de 2026.

A informação foi divulgada pelo Portal 180graus e tem circulado entre prefeitos e lideranças do interior do estado, que observam uma mudança de postura do senador — historicamente alinhado à direita. Segundo essas fontes, Ciro estaria avaliando que manter distância de Lula, especialmente no atual cenário de popularidade do presidente, poderia comprometer sua reeleição e ampliar seu isolamento dentro do Progressistas, partido que preside.

Essa não seria a primeira reviravolta protagonizada por Ciro. Em 2016, ele foi um dos principais articuladores do impeachment de Dilma Rousseff, mas surpreendeu ao, pouco tempo depois, elogiar Lula e buscar aproximação com o PT com vistas às eleições de 2018. Agora, com Lula em alta no país — e especialmente no Piauí, onde o presidente mantém forte apoio popular — o senador parece mais uma vez agir com pragmatismo.

Entre aliados de Ciro, a leitura é clara: ignorar a força de Lula neste momento pode ter um custo político alto. Prefeitos do PP no estado já demonstram simpatia tanto pelo presidente quanto por seu possível candidato ao governo local em 2026, Rafael Fonteles, atual governador e aliado do PT. Isso coloca Ciro em uma posição delicada dentro do próprio partido.

Paralelamente, outro episódio envolvendo o Progressistas ganha repercussão nacional. O ministro do Esporte, André Fufuca, foi afastado das decisões do partido após se recusar a deixar o cargo no governo federal, contrariando uma ordem direta da sigla. A crise interna se agravou quando Fufuca reafirmou apoio a Lula para as eleições de 2026. Como resposta, o PP o destituiu da vice-presidência nacional do partido e interveio no diretório estadual do Maranhão, sua base política.

Nos bastidores, porém, o gesto de afastar Fufuca é visto por aliados de Ciro Nogueira como uma jogada estratégica. Mantê-lo no governo Lula, mesmo de forma não-oficial, poderia garantir ao senador uma ponte importante com o Planalto em um eventual segundo mandato petista. Trata-se de mais um exemplo do estilo pragmático de Ciro, que mira na preservação da influência do PP, seja em um governo de esquerda ou de direita.

O próprio Ciro Nogueira, ao avaliar os rumos da política nacional, ainda alimenta o projeto de compor uma chapa como vice de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2026. No entanto, com o cenário eleitoral indefinido e o bolsonarismo enfrentando dificuldades para se consolidar, o senador parece inclinado a manter múltiplas frentes de diálogo abertas.

Até lá, Ciro seguirá atuando com a cautela de quem sabe que, ao fim de seu mandato no Senado, precisará de uma nova base de sustentação política — e essa pode muito bem vir de onde menos se espera.

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