Meio Ambiente

Chuvas no Piauí: entre a esperança no semiárido e a devastação no Sul do estado

Chuvas renovam a esperança no semiárido mas também deixam rastros de destruição no Sul e Sudeste


Reprodução Chuvas no Piauí: entre a esperança no semiárido e a devastação no Sul do estado
Chuvas no Piauí

As chuvas no Piauí têm provocado impactos contrastantes no estado: enquanto renovam a esperança no semiárido, também deixam rastros de destruição no Sul e Sudeste.

Em Alegrete do Piauí, a mais de 390 quilômetros de Teresina, uma precipitação intensa ao longo de cerca de duas horas foi recebida com celebração, especialmente na zona rural. A Barragem do Povoado Malhada Alta transbordou, e imagens do momento em que o reservatório “sangra” circularam nas redes sociais. Para agricultores e criadores, a chuva simboliza vida, recuperação da vegetação, segurança alimentar e garantia de abastecimento humano e animal após períodos de estiagem.

No entanto, o cenário é diferente em diversas cidades do Sul piauiense. Desde quarta-feira (25), temporais vêm causando prejuízos significativos. Em São Gonçalo do Gurguéia, enxurradas destruíram plantações, arrastaram animais e deixaram estradas vicinais intrafegáveis. Rios e riachos transbordaram, ampliando os danos à produção rural e isolando comunidades.

Já em Corrente, o acumulado de chuva variou entre 105 e 142 milímetros em 24 horas. O transbordamento do Rio Corrente levou ao reconhecimento de situação de emergência, com suspensão de aulas e interrupção de acessos. Em Riacho Frio, uma ponte apresenta risco de desabamento, enquanto famílias ficaram desabrigadas.

Em Floriano, bairros como Pedro Simplício, Hermes Pacheco, Manguinha e Taboca amanheceram alagados. O Corpo de Bombeiros realizou resgates, incluindo o de uma idosa de 97 anos. A Defesa Civil montou comitê de crise para coordenar o atendimento. Em Santo Inácio do Piauí, o Riacho da Barra encheu e isolou comunidades.

Dados da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) indicam volumes expressivos nas últimas 24 horas: 146 mm em Floriano, 135 mm em Cabeceiras do Piauí, 102 mm em Ribeiro Gonçalves, além de registros elevados em Santa Cruz do Piauí e Ilha Grande. A meteorologista Sônia Feitosa alertou que a instabilidade deve persistir, impulsionada por sistemas atmosféricos atuando simultaneamente ao Norte e ao Sul do estado.

A Secretaria Estadual de Defesa Civil prevê novas precipitações no fim de semana, especialmente em Betânia do Piauí e Simões, onde já há registros de barragem sob risco e acumulado de até 150 mm.

Diante do cenário, a Polícia Rodoviária Federal reforçará as operações com o envio de um caminhão com capacidade para transportar até 23 toneladas, destinado ao apoio logístico e à distribuição de donativos e insumos emergenciais.

Entre celebração e calamidade, as chuvas no Piauí revelam a dualidade do regime climático do estado: fonte de esperança para o campo e, ao mesmo tempo, desafio urgente para a infraestrutura e a proteção das populações mais vulneráveis.

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