Política

Carla Zambelli enviou R$ 2 milhões em emenda para produtora de filme de Bolsonaro

Recurso seria usado para produzir série sobre personagens históricos, mas foi retido por decisão do Tribunal de Contas da União (TCU)


Reprodução Carla Zambelli enviou R$ 2 milhões em emenda para produtora de filme de Bolsonaro
Carla Zambelli

A ex-deputada Carla Zambelli destinou R$ 2 milhões em emenda parlamentar à Academia Nacional de Cultura (ANC) para financiar uma série de viés conservador. O repasse, feito ao governo de São Paulo em 2024, entrou na mira do TCU por inconsistências na transferência dos recursos, que ainda não chegaram à entidade.

O que aconteceu

Presa na Itália desde julho de 2025, a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) destinou, enquanto exercia o mandato, R$ 2 milhões em emenda parlamentar para a Academia Nacional de Cultura (ANC). A entidade é presidida por Karina Ferreira da Gama, produtora da cinebiografia de Jair Bolsonaro, Dark Horse.

O recurso seria utilizado na produção da série Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rendem, projeto de conteúdo conservador sobre personagens históricos brasileiros. A obra previa três episódios: “Portugal: Luz para o Brasil”, “José de Anchieta: o Apóstolo do Brasil” e “Dom Pedro I: o Libertador”, além de um show musical.

O orçamento total do projeto era de R$ 2,6 milhões, financiado integralmente por emendas parlamentares de deputados ligados ao bolsonarismo. Além de Zambelli, Marcos Pollon (PL-MS) destinou R$ 1 milhão via emenda Pix. Alexandre Ramagem (PL-RJ) contribuiu com R$ 500 mil, e Bia Kicis (PL-DF), com R$ 150 mil.

O TCU apontou inconsistências no processo, especialmente pelo fato de o dinheiro ter sido depositado diretamente em conta do governo paulista, administrado por Tarcísio de Freitas. Após questionamentos, o valor foi transferido, mas segue sem liberação porque a ANC não apresentou toda a documentação exigida. Segundo o governo estadual, caso as pendências não sejam resolvidas, os recursos serão devolvidos à União.

Karina Ferreira da Gama também passou a ser alvo de investigações que apuram supostas irregularidades envolvendo contratos públicos, captação de recursos e uma rede de empresas ligada a projetos de conectividade digital e produção audiovisual.

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