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"Cão que late, não morde". diz The Economist sobre medidas de Trump contra o Brasil

"Lula vai colher benefícios por ser atacado por Trump, mas deve evitar briga maior", completou a revista


IA "Cão que late, não morde". diz  The Economist sobre medidas de Trump contra o Brasil
"Cão que late, não morde". diz The Economist

A revista The Economist comparou, em reportagem publicada ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a um “cão que late, mas não morde” ao analisar as tarifas impostas contra o Brasil. Segundo a publicação britânica, apesar do anúncio de uma taxa de 50% sobre exportações brasileiras — uma das mais altas do mundo —, o impacto econômico será restrito devido às amplas isenções conquistadas pelo governo brasileiro.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai colher benefícios por ter sido atacado pelo presidente americano Donald Trump, mas deve evitar transformar isso em uma briga maior, afirmou ainda a publicação.

Segundo a revista, um dos motivos citados por Trump para a taxação foi o tratamento dado a Bolsonaro pela Justiça brasileira no processo em que ele é acusado de tramar um golpe de Estado.

"Trump está indignado com o fato de seu aliado, Jair Bolsonaro, ex-presidente da direita radical do Brasil, estar sendo julgado, acusado de planejar um golpe", diz a publicação.

A revista lembra que o Brasil não foi o único visado por razões políticas, citando o exemplo do Canadá. "Trump alertou Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, que reconhecer um Estado palestino tornaria as negociações comerciais muito difíceis".

Para a The Economist, o caso do Brasil é o "mais claro, até agora, de Trump usando o comércio como instrumento para interferir nos assuntos de outro país."

Lula reagiu duramente ao tarifaço de Trump. Acusou o presidente americano de querer interferir na Justiça brasileira e reafirmou a independência do STF e a autonomia do Brasil.

Muitos viram na crise um ganho de imagem para Lula, que enfatizou a defesa da soberania e o nacionalismo frente à ofensiva do governo americano.

A The Economist ressaltou no texto que o impacto do tarifaço parece "provavelmente limitado" no Brasil, já que "suas exportações corresponderam a menos de um quinto do PIB no ano passado, em comparação a mais de um terço no México e mais de 70% em economias asiáticas abertas, como Vietnã e Tailândia."

Relata ainda que só 13% das exportações estão expostas às taxas de Trump e destacou que o Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimentos do mundo, manteve sua previsão de crescimento do PIB para este ano inalterada em 2,3%.

Para a revista, ainda há riscos no caminho. A publicação citou fala de Lula de que consultaria outros membros do Brics (grupo de 11 economias de mercados emergentes que inclui Índia e China) sobre formas de combater as tarifas de Trump. "Isso poderia. muito bem desencadear uma guerra comercial crescente", diz a publicacão.


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