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Campanha eleitoral 2026: jornalistas atacados e ameaças à liberdade de imprensa

Intercept denuncia campanha de desinformação, há relato de ameaças após reportagem sobre Eduardo Bolsonaro e intimidação e coação no Piauí


IA Campanha eleitoral 2026: jornalistas atacados e ameaças à liberdade de imprensa
Ataque à liberdade de imprensa

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), uma das mais importantes organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa, condenou nesta sexta-feira (29) os ataques e o assédio direcionados aos jornalistas do portal Intercept Brasil após a publicação de reportagens sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Em nota oficial, a coordenadora do programa para a América Latina do CPJ, Cristina Zahar, afirmou que tentativas de intimidar jornalistas não podem substituir o dever de prestação de contas de agentes públicos.

“Silenciar reportagens críticas — e tentar transformar em bodes expiatórios os jornalistas por trás delas — não substitui a responsabilização. A conduta da família Bolsonaro, cujos membros são atuais e ex-agentes públicos, é uma questão de interesse público e eles devem ser responsabilizados”, declarou.

A entidade internacional destacou ainda o pedido apresentado pelo deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ) ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que fosse aberta uma investigação criminal contra o Intercept Brasil em razão das reportagens publicadas.

Jornalista nos EUA relata ameaças após reportagem sobre Eduardo Bolsonaro

O CPJ também citou o caso do jornalista freelancer Steven Monacelli, radicado em Dallas, no Texas, que relatou ter sido alvo de ameaças e ataques virtuais após tentar obter um posicionamento de Eduardo Bolsonaro. O parlamentar brasileiro vive atualmente nos Estados Unidos.

Segundo o Intercept Brasil, as reportagens revelaram detalhes sobre a residência ocupada por Eduardo Bolsonaro no Texas, avaliada em cerca de R$ 6 milhões, além de sua influência em contratos e na destinação de recursos milionários ligados a uma produção audiovisual sobre a família Bolsonaro.

“Cerca de duas horas depois de tocar a campainha da casa de Bolsonaro, meu rosto já estava circulando em praticamente todas as redes sociais da direita brasileira”, afirmou Monacelli ao CPJ.

A organização informou que procurou autoridades policiais locais nos Estados Unidos para comentar o episódio, mas não recebeu informações sobre o caso.

Intercept denuncia campanha coordenada de desinformação

Ao CPJ, o presidente do Intercept Brasil, Andrew Fishman, afirmou que houve uma tentativa organizada de desacreditar o trabalho jornalístico realizado pelo portal.

“Houve um esforço coordenado para desacreditar a investigação, envolvendo acusações infundadas, falsas ligações entre jornalismo e crime organizado, distorções das reportagens e a mobilização de contas e páginas pró-Bolsonaro para espalhar desinformação”, declarou.

A repercussão levou entidades brasileiras de defesa do jornalismo, como a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a divulgarem notas públicas em defesa do Intercept Brasil e contra o assédio sofrido pelos profissionais do veículo.

Caso no Piauí reacende debate sobre liberdade de imprensa

O debate sobre ataques à atividade jornalística também ganhou força no Piauí após a derrubada da página do portal 180graus no Instagram. O veículo, que possui linha editorial considerada favorável ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teve seu perfil retirado do ar na última semana, provocando forte repercussão entre profissionais da comunicação e defensores da liberdade de imprensa.

Segundo o próprio portal, medidas judiciais foram adotadas para tentar restabelecer a conta na plataforma.

Paralelamente, começou a circular nas redes sociais um vídeo de autoria desconhecida que dissemina informações falsas sobre o episódio. O conteúdo afirma, sem apresentar qualquer prova, que a remoção da página teria ocorrido por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Fake news citam outros portais piauienses

O mesmo vídeo menciona outros veículos de comunicação do estado, sugerindo que eles também poderiam ser alvo de medidas semelhantes. Entre os portais citados estão Pensar Piauí, Conecta Piauí, Piauí Hoje e Pin Piauí.

Diante da circulação das informações falsas, o portal Pensar Piauí esclareceu que não responde a qualquer processo relacionado ao caso e reafirmou seu compromisso com os princípios do jornalismo profissional, pautado pela apuração dos fatos e pelo interesse público.

O veículo também destacou que sua linha editorial é baseada na cobertura política e institucional do estado, acompanhando as ações dos poderes públicos e dos principais atores políticos do Piauí.

Os episódios envolvendo o Intercept Brasil e veículos piauienses reforçam um debate cada vez mais presente no país: os desafios para o exercício do jornalismo em um ambiente marcado por campanhas de desinformação, ataques digitais e tentativas de intimidação contra profissionais da imprensa.

Sobre o assunto veja Nota Oficial do portal Piauí Hoje: Direita ameaça e tenta calar quem denuncia seus propineiros e corruptos poderosos no Piauí

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