Eleiçoes 2026

Cadê as mulheres? A fome de poder dos homens nas eleições 2026!

A próxima eleição quebra uma tradição de mais de 20 anos


Reprodução Cadê as mulheres? A fome de poder dos homens nas eleições 2026!
A eleição de 2026 conta com minima participação feminina

As eleições presidenciais de 2026 caminham para um cenário inédito na política brasileira. Pela primeira vez neste século, nenhuma das chapas consideradas competitivas reúne uma mulher como candidata à Presidência ou à Vice-Presidência. Desde 2002, todas as disputas nacionais contaram com pelo menos uma mulher ocupando uma dessas posições em candidaturas de partidos com representação no Congresso Nacional e desempenho relevante nas urnas.

Atualmente, a única chapa totalmente feminina registrada nas pesquisas é a da Unidade Popular (UP), formada por Samara Martins, candidata à Presidência, e Raquel Bricio, candidata a vice. Embora apareça com mais de 1% das intenções de voto em alguns levantamentos, a legenda não possui representantes na Câmara dos Deputados nem no Senado, ficando fora dos critérios normalmente utilizados para definir as chapas competitivas.

Flávio Bolsonaro opta por Alfredo Gaspar e reduz espaço para mulheres

A possibilidade de uma mulher integrar uma das principais chapas chegou a ser discutida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A estratégia buscava reduzir a rejeição do pré-candidato entre o eleitorado feminino. No entanto, na última quarta-feira (5), o parlamentar confirmou o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente, encerrando as especulações sobre uma composição feminina.

A definição reforça um cenário em que as principais candidaturas ao Palácio do Planalto são formadas exclusivamente por homens, reduzindo a presença feminina na disputa nacional.

Debate sobre participação feminina ganha força em meio a ataques ao voto das mulheres

A baixa representatividade feminina nas chapas presidenciais ocorre em um contexto de crescente debate sobre os direitos políticos das mulheres. Nos últimos meses, declarações de figuras ligadas à direita voltaram a colocar o tema em evidência.

O influenciador Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, fez manifestações contrárias ao voto feminino, reacendendo uma discussão que também vem sendo estimulada por setores conservadores nos Estados Unidos. As declarações provocaram reações e ampliaram o debate sobre a participação das mulheres na política brasileira.

Mulheres tiveram protagonismo nas eleições de 2022

O contraste com a eleição anterior é significativo. Em 2022, três mulheres integraram chapas consideradas competitivas.

A senadora Simone Tebet (MDB) disputou a Presidência ao lado de Mara Gabrilli, então filiada ao PSDB, conquistando pouco menos de 5% dos votos válidos no primeiro turno. Após a eleição, Tebet assumiu o Ministério do Planejamento no governo Lula e atualmente disputa uma vaga no Senado por São Paulo pelo PSB.

Também em 2022, Ana Paula Matos foi candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PDT), que terminou o primeiro turno com cerca de 3% dos votos.

2018 registrou recorde de mulheres em chapas competitivas

A eleição presidencial de 2018 foi a que apresentou o maior número de mulheres em posições de destaque entre as chapas competitivas.

Além de Marina Silva, candidata à Presidência pela Rede Sustentabilidade, participaram da disputa Kátia Abreu, vice de Ciro Gomes; Ana Amélia Lemos, vice de Geraldo Alckmin; Suelene Balduino, vice de Cabo Daciolo; e Manuela d'Ávila (PCdoB), companheira de chapa de Fernando Haddad (PT), que chegou ao segundo turno contra Jair Bolsonaro.

Dilma Rousseff marcou uma era de protagonismo feminino

Nas eleições de 2014, três mulheres lideraram candidaturas presidenciais competitivas: Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Luciana Genro (PSOL). Dilma conquistou a reeleição, enquanto Marina ultrapassou 21% dos votos no primeiro turno.

Em 2010, Dilma e Marina também disputaram a Presidência, consolidando uma das eleições com maior protagonismo feminino da história recente.

Antes disso, Heloísa Helena, pelo PSOL, alcançou 6,85% dos votos em 2006, enquanto Rita Camata foi candidata a vice-presidente na chapa de José Serra em 2002, iniciando uma sequência de eleições nas quais as mulheres sempre estiveram presentes nas principais candidaturas ao Palácio do Planalto.

Caso o cenário atual seja mantido até a oficialização definitiva das chapas para as eleições de 2026, o Brasil poderá encerrar uma tradição de mais de duas décadas de participação feminina nas candidaturas presidenciais competitivas, evidenciando uma redução da representatividade das mulheres na disputa pelo cargo mais importante do país.


Siga nas redes sociais

Deixe sua opinião: