Feminicídio

Brasil vai às ruas contra o feminicídio; país registra aumento de casos e pauta chega com força ao Nordeste


Reprodução e IA Brasil vai às ruas contra o feminicídio; país registra aumento de casos e pauta chega com força ao Nordeste
Há atos hoje por todo o Brasil, em Teresina será às 16 horas

Em um cenário de crescente indignação, diversas cidades brasileiras realizam hoje atos públicos em defesa da vida das mulheres e contra o feminicídio. As manifestações, que reúnem coletivos feministas, organizações sociais e familiares de vítimas, buscam pressionar o poder público a intensificar políticas de prevenção e combater a violência de gênero de maneira estruturada. No Piauí, o movimento na capital vai acontecer às 16 h, na praça Pedro II.

O que é feminicídio

O feminicídio, previsto na legislação brasileira desde 2015, é o assassinato de mulheres motivado por razões de gênero. A lei classifica o crime como homicídio qualificado quando praticado no contexto de violência doméstica e familiar ou em situações em que há menosprezo ou discriminação contra a condição feminina.

O feminicídio é frequentemente o desfecho de ciclos violentos que incluem agressões físicas, ameaças, perseguição, controle e violência psicológica. Institutos de segurança pública apontam que, no Brasil, uma mulher é assassinada a cada 7 horas, em média, apenas por ser mulher.

Dados recentes expõem quadro alarmante

Relatórios nacionais mostram que o país registrou 1.463 feminicídios em 2023, um crescimento em relação ao ano anterior. No Piauí, segundo os dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram 30 casos de feminicídio, muitos deles cometidos por parceiros ou ex-parceiros — reforçando a urgência de políticas de proteção e acompanhamento.

Casos que mobilizam o país

Nas últimas semanas, episódios em diferentes regiões reacenderam a comoção e impulsionaram as manifestações deste sábado.

No Piauí, o corpo encontrado na Estrada da Alegria, em Teresina, com fortes indícios de ser o de Emilly Yassmyn Silva Oliveira, de 24 anos, desaparecida após sair para encontrar um homem conhecido em aplicativo, voltou a levantar alertas sobre o risco enfrentado por mulheres em situações de vulnerabilidade. A jovem chegou a enviar sua localização a uma familiar como medida de segurança. Dois suspeitos foram presos.

No Rio de Janeiro, o caso das servidoras do Cefet-RJ, Allane de Souza Pedrotti e Layse Costa Pinheiro, assassinadas por um colega armado dentro da instituição, expôs o impacto de comportamentos misóginos e a necessidade de estruturas de proteção no ambiente de trabalho.

Também ganharam repercussão episódios em Goiás, Pernambuco e Maranhão envolvendo desaparecimento, violência doméstica, perseguição e mortes de jovens mulheres que buscavam romper relações abusivas.

Ato nacional pede ação do Estado

Nos protestos de hoje, faixas e cruzes expõem nomes de mulheres mortas nos últimos anos. As organizações reivindicam:

  • Ampliação das Delegacias da Mulher e atendimento 24h;

  • Reforço das medidas protetivas de urgência;

  • Mais casas-abrigo e centros de referência;

  • Campanhas de educação e prevenção;

  • Políticas de responsabilização de agressores e combate à reincidência.

Para movimentos sociais, o feminicídio não é apenas uma soma de tragédias individuais: é um fenômeno estrutural que revela desigualdades históricas de gênero, raça e classe social.

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