Comunicação

Brasil sobe 19 posições no ranking anual de liberdade de imprensa

Relatório da RSF mostra melhora brasileira, mas expõe aumento mundial de mortes, prisões e ataques a jornalistas


Ricardo Stuckert Brasil sobe 19 posições no ranking anual de liberdade de imprensa
Lula

O Brasil subiu no índice de liberdade de imprensa da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), graças à normalização das relações entre governo e mídia. Apesar disso, o país ainda enfrenta violência estrutural, concentração midiática e desinformação. No mundo, 2025 registrou aumento de assassinatos, prisões e desaparecimentos de jornalistas. China, Israel, México e zonas de guerra se tornaram epicentros da violência. A RSF alerta que jornalistas têm sido alvos deliberados e cobra ação de governos.

O que aconteceu 

A Repórteres Sem Fronteiras (RSF) divulgou seu índice anual de liberdade de imprensa apontando melhora da posição do Brasil, impulsionada pela normalização das relações entre Estado e imprensa após a posse do governo Lula. O avanço contrasta com o período anterior, marcado por hostilidade do governo Bolsonaro. Ainda assim, permanecem desafios significativos, como violência estrutural contra profissionais, concentração privada dos meios de comunicação e o impacto contínuo da desinformação no debate público.

O relatório destaca que, nos últimos dez anos, ao menos 30 jornalistas foram assassinados no Brasil, incluindo casos diretamente ligados ao exercício da profissão, como o de Dom Phillips em 2022. Em escala global, o cenário é ainda mais grave: 67 jornalistas foram mortos desde dezembro de 2024 — quase 80% por forças armadas ou crime organizado. A China é classificada como a “maior prisão aberta de jornalistas”, com 121 profissionais detidos entre os 503 presos no mundo.

Israel responde por mais de 43% dos assassinatos de jornalistas na Faixa de Gaza, somando cerca de 220 mortes desde outubro de 2023. A RSF acusa o exército israelense de ataques deliberados contra repórteres, rejeitando justificativas de que seriam alvos ligados ao Hamas. México, Ucrânia e Sudão também figuram entre os países mais perigosos, com crescente número de mortes e ameaças.

O relatório registra ainda 135 jornalistas desaparecidos e 20 mantidos como reféns. Para a RSF, o aumento dos crimes contra a imprensa revela um padrão de perseguição direta: “Os jornalistas não morrem, eles são mortos.” A entidade cobra que governos assumam responsabilidade pela proteção da categoria e combatam a impunidade que alimenta a violência.

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