Brasil reduz fome e retira 26,5 milhões de pessoas da insegurança alimentar
O avanço ocorreu em um contexto de recuperação econômica, queda do desemprego, valorização do salário mínimo e fortalecimento das políticas de proteção social
O Plano Brasil Sem Fome foi apontado pelo governo federal como decisivo para retirar cerca de 26,5 milhões de brasileiros da insegurança alimentar grave entre 2023 e 2024. A redução ocorreu em meio à retomada do crescimento econômico, fortalecimento de programas sociais e ampliação de políticas de combate à pobreza.
O que aconteceu
Dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) mostram que o Plano Brasil Sem Fome contribuiu para reduzir significativamente a insegurança alimentar grave no país entre 2023 e 2024. Segundo o governo federal, cerca de 26,5 milhões de brasileiros deixaram essa condição no período.
O avanço ocorreu em um contexto de recuperação econômica, queda do desemprego, valorização do salário mínimo e fortalecimento das políticas de proteção social. Em 2025, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) confirmou a saída do Brasil do Mapa da Fome.
A estratégia do plano reúne ações de 24 ministérios integrados à Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan), em parceria com a sociedade civil. O objetivo é ampliar a renda das famílias mais vulneráveis e acelerar a redução da fome e da insegurança alimentar no país.
De acordo com o IBGE, a insegurança alimentar grave atingia 3,2% dos domicílios brasileiros em 2024, o equivalente a cerca de 6,5 milhões de pessoas. O levantamento utiliza a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA).
A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, afirmou que a retomada das políticas públicas e da articulação institucional foi fundamental para os resultados. Segundo ela, o plano surgiu em resposta ao agravamento da pobreza, da desigualdade e da dificuldade de acesso à alimentação registrado nos anos anteriores.
Burity também destacou que o Brasil Sem Fome integra políticas públicas já existentes e novas iniciativas, considerando que a fome é resultado de fatores como baixa renda, dificuldade de acesso a alimentos e fragilidade das redes de proteção social.
O governo atribui parte dos resultados às mudanças implementadas no Bolsa Família a partir de 2023. O programa passou a permitir a manutenção parcial dos benefícios mesmo após aumento da renda familiar. Entre janeiro e outubro de 2025, cerca de 2 milhões de pessoas deixaram o programa após conquistarem autonomia financeira por meio do emprego e da elevação da renda.
Entre 2023 e 2025, o Bolsa Família atendeu, em média, 20,7 milhões de famílias, alcançando aproximadamente 54 milhões de pessoas. No período, os repasses somaram R$ 434,7 bilhões.
Outras políticas também foram apontadas como importantes para a redução da fome, entre elas o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o Auxílio Gás — posteriormente transformado em Gás do Povo — e a política de valorização do salário mínimo. O controle da inflação dos alimentos também ajudou a preservar o poder de compra das famílias de menor renda.
No campo da produção de alimentos, o governo ampliou o apoio à agricultura familiar por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Na safra 2023-2024, o programa realizou 1,7 milhão de operações de crédito rural, totalizando R$ 61,5 bilhões.
Outra iniciativa destacada foi o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Entre 2023 e 2025, foram adquiridas mais de 339 mil toneladas de alimentos, distribuídas para quase 17 mil organizações em todo o país. Mais de 125 mil agricultores familiares participaram da ação, recebendo R$ 1,72 bilhão em pagamentos diretos.
O plano também ampliou medidas de acesso à água em áreas vulneráveis. Entre 2023 e 2025, o Programa Cisternas contratou a instalação de 185,2 mil tecnologias de acesso hídrico, incluindo cisternas para consumo familiar e sistemas de apoio à produção agrícola no Semiárido e na Amazônia.
Na área de mobilização social, o fortalecimento do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan) ampliou a adesão dos municípios à política nacional de combate à fome. O número de cidades integradas ao sistema passou de 536 no início de 2023 para 2.243 em abril de 2026.
Segundo o governo federal, a segunda fase do Plano Brasil Sem Fome será voltada à identificação e ao atendimento direto das famílias que ainda vivem em situação de fome, com prioridade para regiões mais vulneráveis. A estratégia prevê integração entre o SUS, o SUAS e o Sisan para ampliar o acompanhamento dessas famílias.
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