Política

Bolsonaro recua da anistia e aposta no fim do foro privilegiado

Ex-presidente recua da anistia após motim na Câmara e orienta base a priorizar o fim do foro privilegiado como nova estratégia política.


Reprodução/Ueslei Marcelino / REUTERS Bolsonaro recua da anistia e aposta no fim do foro privilegiado
Jair Bolsonaro

O ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu alterar a orientação política de sua base no Congresso e determinou que o PL recue da pressão pela aprovação do projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A nova prioridade agora é a votação do fim do foro privilegiado, segundo informações do O Globo. A mudança ocorre uma semana após o motim de 30 horas promovido pela oposição, que acirrou os ânimos no Legislativo.

De acordo com aliados, Bolsonaro pediu que o tema da anistia deixasse de ser tratado como prioridade, com o objetivo de transmitir uma “sensação de autonomia” ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). O ex-presidente, no entanto, não explicou claramente os motivos por trás da mudança de postura.

A decisão surpreendeu lideranças bolsonaristas, que haviam colocado a anistia no topo da agenda, inclusive com o apoio direto de Bolsonaro. Interlocutores apontam que a mudança se deu, principalmente, pela percepção de que não há votos suficientes para aprovar a proposta, mesmo com a pressão vinda do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, influenciado por narrativas do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

Outro fator que pesou na reavaliação da estratégia foi o risco de desgaste com Hugo Motta. O presidente da Câmara ainda analisa possíveis punições a 14 deputados envolvidos na ocupação da Mesa Diretora, e suspensões de até seis meses poderiam enfraquecer a bancada bolsonarista, prejudicando sua atuação no Congresso.

A nova aposta de Bolsonaro, o fim do foro privilegiado, é vista como uma tentativa de ganhar impulso político em meio às investigações que podem resultar em sua condenação por tentativa de golpe de Estado no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora a proposta não deva alterar seu caso específico, sua aprovação pode fortalecer o discurso do ex-presidente e alimentar ações judiciais contra o julgamento na Suprema Corte.

Nos bastidores, Bolsonaro também confia em um possível voto contrário do ministro Luiz Fux na Primeira Turma do STF. Se isso ocorrer, sua defesa tentará levar o caso ao plenário, onde ministros mais alinhados ao ex-presidente, como André Mendonça e Kássio Nunes Marques, poderiam pedir vistas, atrasando uma decisão que pode levá-lo à prisão.

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