Política

Bolsonaristas trocam bandeira do Brasil pela americana

Bandeirão dos EUA vira símbolo de entreguismo em ato bolsonarista na Paulista


Reprodução Bolsonaristas trocam bandeira do Brasil pela americana
Bolsonarista reverenciam bandeira americana

A Avenida Paulista foi palco, neste domingo (7), de um ato bolsonarista que escancarou contradições no discurso de “patriotismo” defendido pelos apoiadores de Jair Bolsonaro. O movimento, articulado pelo pastor Silas Malafaia, pediu anistia aos condenados pelos ataques de 8 de janeiro e ao próprio ex-presidente, réu em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). O simbolismo, no entanto, chamou atenção: em vez da bandeira nacional, os manifestantes estenderam uma faixa gigantesca com as cores dos Estados Unidos, em apoio a Donald Trump — o mesmo que impôs tarifas de 50% contra o Brasil e penalizou a economia nacional. Mais entreguista, impossível.

Entre os presentes estavam a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que chorou ao subir no carro de som com um boneco do marido, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta se equilibrar entre seu protagonismo e a lealdade a Bolsonaro. Também marcaram presença parlamentares como Luiz Lima, Hélio Lopes, Eduardo Pazuello e Clarissa Garotinho, além do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto. Este último negou qualquer tentativa de golpe em 2023, reduzindo os ataques ao 8 de Janeiro a uma “baderna generalizada”, mas ainda assim defendeu anistia ampla aos envolvidos, incluindo Bolsonaro.

Nos discursos, Tarcísio atacou diretamente o STF, afirmando que condenações sem provas abririam “uma ferida que nunca vai fechar” e cobrando a devolução do passaporte de Malafaia, apreendido pela Polícia Federal. Mesmo sendo apontado como possível candidato à Presidência em 2026, preferiu reforçar que “só Bolsonaro é o líder da direita”. A multidão, por sua vez, entoou gritos de “fora, Romário”, contra o senador que não apoiou o impeachment do ministro Alexandre de Moraes.

Esse foi o segundo ato de grandes dimensões sem a presença física de Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar por decisão do STF. No último, em agosto, ele chegou a aparecer por videochamada. Desta vez, mesmo ausente, sua imagem foi onipresente — de bonecos às falas dos aliados —, sempre acompanhada do grito de “anistia já”.

Enquanto em São Paulo a extrema direita desfilava sob a bandeira estrangeira, em Brasília o desfile oficial do 7 de Setembro reforçava o mote “Brasil Soberano”, em contraponto ao entreguismo bolsonarista. O julgamento do núcleo central da trama golpista será retomado nesta terça-feira (9), com voto do relator Alexandre de Moraes e a expectativa de decisão final até sexta-feira (12), definindo o destino político de Bolsonaro e de outros sete réus.


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