Política

Bolsonaristas travam avanço da regulação de redes após caso Felca

Parlamentares do centrão e da oposição indicaram que a comoção causada pelo vídeo do influenciador Felca, que aborda a adultização de crianças no ambiente digital, não deverá impulsionar a aprovação de uma regulação mais ampla das redes sociais


Reprodução Bolsonaristas travam avanço da regulação de redes após caso Felca
Bolsonaristas travam avanço da regulação de redes após caso Felca

Parlamentares do centrão e da oposição indicaram que a comoção causada pelo vídeo do influenciador Felca, que aborda a adultização de crianças no ambiente digital, não deverá impulsionar a aprovação de uma regulação mais ampla das redes sociais. O governo Lula queria aproveitar a repercussão para destravar propostas que impõem novas regras às big techs, mas enfrenta resistência de bolsonaristas e do lobby das empresas de tecnologia.

Aliados do presidente avaliam que o caso gerou uma oportunidade política para retomar o tema, que havia perdido força no Congresso. No entanto, lideranças ligadas ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmam que não há clima para discussões que dividam o plenário, especialmente após protestos bolsonaristas contra a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.

O governo trabalha com duas minutas de projeto — uma do Ministério da Justiça e outra da Fazenda — que incluem a criação de um órgão fiscalizador. Lula declarou que, apesar das críticas de Donald Trump, as plataformas que operam no Brasil deverão seguir regulamentações nacionais.

Na Câmara, a prioridade definida por aliados de Motta é concentrar o debate na proteção de crianças e adolescentes. Foi marcada para 20 de agosto uma comissão geral sobre a sexualização infantil nas redes, que pode resultar na criação de um grupo de trabalho para avaliar propostas já apresentadas.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu aumentar penas para crimes de pedofilia e criticou a inclusão de temas como regulação de redes no mesmo pacote. Ela afirmou que não permitirá que a defesa da infância seja usada para avançar projetos mais amplos.

Até o momento, mais de 30 projetos foram protocolados na Câmara para combater crimes contra menores na internet. No Senado, a pauta ficou em segundo plano diante de outras votações, como a sabatina de indicados para tribunais superiores e agências reguladoras.

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