Bandeira dos EUA é queimada em protesto em Teresina
Ato na Praça Pedro II marcou os três anos do 8 de janeiro e reuniu manifestantes em defesa da democracia e em solidariedade à Venezuela
Manifestantes se reuniram na tarde dessa quinta-feira (8), na Praça Pedro II, no Centro de Teresina, em um ato em defesa da democracia, da soberania nacional e em solidariedade ao povo venezuelano. Durante a mobilização, participantes queimaram a bandeira dos Estados Unidos como forma de protesto contra o que classificam como intervenção imperialista norte-americana na Venezuela e em outros países da América Latina.
O ato marcou os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, ocorridos em 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadiram e depredaram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), em uma tentativa de golpe contra a democracia brasileira. A mobilização reuniu movimentos sociais, centrais sindicais, partidos políticos de esquerda, estudantes e representantes da sociedade civil, com concentração iniciada por volta das 16h e falas públicas ao longo da tarde.
Para a conselheira estadual de Direitos Humanos, Fabíola Lemos, o ato tem dimensão local e internacional. Segundo ela, a mobilização reafirma a defesa da soberania, da autodeterminação dos povos e da diversidade, em um contexto de avanço do que classificou como imperialismo dos Estados Unidos. Fabíola criticou o uso de desinformação, fake news e novas tecnologias para interferir em outros países e alertou para parlamentares brasileiros que defendem uma intervenção estrangeira no país. “É só com o povo organizado nas ruas que conseguimos pressionar as instituições e evitar novos retrocessos. A memória do 8 de janeiro não pode se repetir”, afirmou.
Entre os manifestantes um piauiense redicado em Londrina/PR. O aposentado Maurício Barros destacou a importância simbólica do ato. Para ele, trata-se de um grupo consciente e resistente, com capacidade de mobilizar mais pessoas no futuro. Maurício também ressaltou a solidariedade ao povo venezuelano e criticou a política externa dos Estados Unidos. “É impossível tolerar a falta de solidariedade ao povo da Venezuela. Estar aqui é reafirmar que não haverá anistia para golpistas”, disse.
Representando a Central de Movimentos Populares, Neide Carvalho afirmou que o 8 de janeiro marca uma tentativa grave de golpe articulada a partir do alto escalão do poder político da época. Segundo ela, os atos realizados em todo o Brasil reafirmam que a democracia brasileira resiste e que tentativas de ruptura institucional não serão aceitas. Neide também destacou que o protesto em Teresina ecoa a defesa da soberania da América Latina frente a pressões externas.
A juventude também marcou presença no ato. Para Pedro Victor, vice-presidente da União da Juventude Socialista (UJS), voltar às ruas é fundamental para reafirmar a defesa da democracia em um momento histórico decisivo. Ele ressaltou que, além das mobilizações presenciais, há uma disputa política nas redes sociais e defendeu o veto presidencial ao projeto que previa a redução de penas dos envolvidos nos atos golpistas, conhecido como PL da dosimetria. “É o povo na rua e nas redes defendendo que o Brasil siga soberano”, afirmou.
Já Daniel Solano, da coordenação estadual da CSP com Lutas, avaliou que ainda há um longo caminho para que haja justiça plena pelos crimes cometidos no 8 de janeiro. Ele alertou para o crescimento da extrema direita no Brasil e no mundo e defendeu a punição rigorosa dos responsáveis pelos ataques às instituições. Daniel também reforçou a solidariedade ao povo venezuelano, criticando duramente a atuação dos Estados Unidos na região. “Não se trata de defender governos, mas de defender o princípio da soberania e da autodeterminação dos povos”, destacou, ao afirmar que apenas os venezuelanos têm o direito de decidir seu próprio destino político.
O protesto em Teresina se somou a atos realizados em diversas cidades do país, reforçando a defesa da democracia, a rejeição a qualquer tentativa de anistia aos golpistas do 8 de janeiro e a crítica à interferência estrangeira na América Latina, simbolizada, na capital piauiense, pela queima da bandeira dos Estados Unidos.
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