Após caso Ramagem, Brasil cogita expulsar agentes americanos
Brasil avalia retaliação após expulsão de delegado da PF
O governo brasileiro considera expulsar agentes dos Estados Unidos após a solicitação americana para retirar um delegado da Polícia Federal envolvido em investigação ligada à prisão de Alexandre Ramagem. A reação pode escalar diante da falta de explicações formais de Washington.
O que aconteceu
O governo do Brasil passou a discutir a expulsão de agentes norte-americanos em atuação no país como resposta ao pedido dos Estados Unidos para a retirada do delegado Marcelo Ivo, que cooperava com autoridades americanas. O caso está ligado à investigação que resultou na prisão do ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem.
A possibilidade ganhou força no Palácio do Planalto após autoridades brasileiras considerarem insuficientes as justificativas apresentadas pelos EUA, até agora restritas a uma publicação em redes sociais. O episódio surpreendeu o governo, levando o Itamaraty a solicitar esclarecimentos formais.
A atuação de Ivo nos Estados Unidos ocorre no âmbito de um acordo bilateral que permite cooperação entre agentes de segurança dos dois países, vigente e renovado recentemente. Ainda assim, o governo americano afirmou que pediu a saída do delegado sob a alegação de tentativa de manipular seu sistema migratório para contornar processos de extradição.
O Brasil afirma não ter recebido detalhes concretos que sustentem a acusação, o que agrava a crise diplomática. Diante disso, o governo avalia opções que vão desde insistir por explicações até adotar medidas mais duras.
A tendência mais provável é aplicar o princípio da reciprocidade, com a possível expulsão de um agente americano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou essa postura ao afirmar que haverá resposta equivalente em caso de abuso. A decisão, porém, é tratada com cautela para evitar maior desgaste nas relações bilaterais, consideradas estratégicas.
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