APAGÃO EM SP! Direita no comando, cidade no escuro: o que a história revela sobre os rumos de São Paulo
Até quando o paulistano vai suportar as agruras de administrações ineficazes e a naturalização de falhas graves em serviços essenciais?
Quatro dias após a passagem de um ciclone extratropical por São Paulo, mais de 179 mil imóveis na região metropolitana seguem sem fornecimento de energia elétrica. A concessionária Enel informou que trabalha para restabelecer o serviço até o fim deste domingo. O dado, por si só, já seria alarmante. Torna-se ainda mais grave quando se considera que se trata da maior cidade do Brasil, uma das maiores metrópoles do planeta, governada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) e situada em um estado administrado por Tarcísio de Freitas, político alinhado ao bolsonarismo.
São Paulo acumula mais de cinco séculos de existência, mas vive, em pleno século XXI, uma situação típica de regiões sem infraestrutura básica consolidada. Quatro dias às escuras não em um vilarejo remoto ou em área de difícil acesso, mas em uma supercidade que concentra riqueza, tecnologia, centros financeiros e sedes de grandes corporações. A crise expõe fragilidades profundas de um modelo de gestão que, historicamente, apostou na redução do papel do Estado, na privatização de serviços essenciais e na transferência de responsabilidades estratégicas ao mercado.
Ao longo de sua história recente, São Paulo teve apenas três experiências administrativas de esquerda: Luiza Erundina, Marta Suplicy e Fernando Haddad. Em comum, essas gestões apostaram no fortalecimento das políticas públicas, no planejamento urbano, na ampliação de serviços sociais e na presença ativa do poder público como indutor de desenvolvimento e organizador da cidade. Erundina marcou sua passagem pelo compromisso com participação popular e políticas sociais em um período de transição democrática. Marta deixou como legado investimentos em mobilidade urbana, educação e programas sociais que ampliaram o acesso a direitos básicos. Haddad, por sua vez, priorizou planejamento, transporte público, requalificação urbana e políticas voltadas à redução das desigualdades.
Fora desses intervalos, a cidade foi majoritariamente governada por representantes ligados ao café, à indústria, ao mercado financeiro e à lógica do Estado mínimo. Administrações que defenderam privatizações, terceirizações e a diminuição do papel do poder público, frequentemente acompanhadas de promessas de eficiência que, na prática, não se confirmaram diante de crises como a atual. A recorrência de apagões, a precarização de serviços e a dificuldade de resposta a eventos climáticos extremos evidenciam os limites desse modelo.
Diante desse cenário, a pergunta que se impõe é direta e incômoda: até quando o paulistano vai suportar as agruras de administrações ineficazes e a naturalização de falhas graves em serviços essenciais?
Vale lembrar que: Há mais de uma década, entre 2014 e 2015, o então prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, propôs um ambicioso programa de enterramento da rede elétrica aérea. A iniciativa visava modernizar a distribuição de energia, reduzindo drasticamente as quedas causadas por ventos fortes, chuvas e quedas de árvores. O projeto foi barrado na Justiça pela concessionária e nunca saiu do papel. Anos depois, com a Enel privatizada no comando, os apagões viraram rotina – e agora a cidade paga o preço. Enquanto isso, em 2022 preferiram eleger o forasteiro Tarcísio da extrema-direita a governador ao invés do paulistano Haddad.
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