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Ancelotti fala sobre jogo contra a Noruega, Neymar, Vini Jr. e Deus

Bem-humorado, o treinador explicou por que evita correr pelo campo para comemorar gols, como ocorreu recentemente na vitória sobre o Japão


Rafael Ribeiro / CBF Ancelotti fala sobre jogo contra a Noruega, Neymar, Vini Jr. e Deus
Carlo Ancelotti

Fórum - Às vésperas do confronto decisivo entre Brasil e Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo, o técnico da seleção brasileira, Carlo Ancelotti, concedeu uma entrevista exclusiva na quinta-feira (2), à coluna de Mônica Bergamo na qual falou sobre o momento da equipe, a situação de Neymar, as críticas ao seu trabalho e até sobre sua relação com a fé durante as partidas.

Após o almoço no Hotel The Ridge, em Baskin Ridge, Nova Jersey, onde a delegação brasileira está concentrada, o treinador italiano reservou cerca de meia hora para a conversa. Aos 67 anos, Ancelotti afirmou que espera uma partida extremamente complicada contra a Noruega, neste domingo (5), e destacou a qualidade defensiva dos adversários, além da presença do atacante Erling Haaland.

“É uma equipe muito bem organizada na linha defensiva. Haaland é um dos melhores jogadores do mundo. Sempre é difícil. Mas estamos confiantes”, afirmou o comandante da seleção.

Ancelotti destacou que, a partir desta fase da competição, todos os confrontos se tornam especialmente difíceis, independentemente do adversário. Ainda assim, avaliou que a seleção brasileira chega mais preparada emocionalmente para enfrentar momentos adversos durante as partidas.

“Os jogadores estão mais confiantes. Podemos sofrer um gol, mas estamos preparados para reagir”, disse.

Neymar no banco e pronto para atuar

O treinador também comentou a situação de Neymar, que ainda não recuperou a condição de titular absoluta na equipe. Segundo Ancelotti, apesar da insatisfação natural por permanecer no banco de reservas, o camisa 10 tem demonstrado profissionalismo e comprometimento.

“Ele não está conformado, mas está se comportando muito bem. Tem qualidade e é uma pessoa muito humilde”, afirmou.

De acordo com o técnico, Neymar já reúne condições físicas para disputar uma partida completa, caso seja necessário.

Elogios a Vinicius Júnior

Durante a entrevista, Ancelotti também destacou as qualidades de Vinicius Júnior, jogador com quem trabalhou por várias temporadas no Real Madrid. Para o treinador, a principal característica do atacante brasileiro vai além do talento dentro de campo.

“A chave do êxito de Vinicius é ser humilde com um talento excepcional, extraordinário”, declarou.

“Deus tem outros problemas em que pensar”

Conhecido pelo perfil sereno à beira do gramado, Ancelotti revelou que não costuma rezar durante as partidas, apesar de se considerar um católico praticante.

“Eu sou católico, mas acho que Deus tem outros problemas em que pensar”, disse, em tom descontraído.

O treinador também explicou por que evita correr pelo campo para comemorar gols, como ocorreu recentemente na vitória sobre o Japão.

Aos 67 anos, afirmou que prefere evitar riscos físicos. Segundo ele, a preocupação é simples: não quer “romper o joelho” durante uma comemoração.

“Na derrota, o treinador é sempre o culpado”

Questionado sobre as críticas que recebe ao longo da carreira, Ancelotti afirmou que não se deixa abalar pelas avaliações externas. O italiano lembrou que acumula cerca de 1.400 partidas como treinador e afirmou que a função do técnico no futebol é frequentemente marcada pela cobrança excessiva.

“Eu não sei se entendo ou não de futebol. Mas também ninguém pode julgar se eu entendo ou não”, declarou.

Para ele, a dinâmica do futebol costuma reservar os méritos aos jogadores e atribuir as responsabilidades aos treinadores.

“O treinador é a parte mais débil do futebol. Quando o time ganha, o mérito é dos jogadores. Quando perde, a culpa é do treinador”, afirmou.

Pressão e admiração pelo Brasil

Ancelotti também comentou a pressão enfrentada pelos atletas que vestem a camisa da seleção brasileira, classificando-a como diferente daquela vivida em outras equipes nacionais.

“A pressão que um jogador com a camisa do Brasil pode sofrer é diferente da que sofre em outra seleção”, disse.

Ao falar sobre sua experiência convivendo com brasileiros ao longo da carreira, o treinador fez um elogio ao perfil dos jogadores e das pessoas do país.

“Eu até agora nunca encontrei um brasileiro arrogante”, afirmou.

Ao final da entrevista, Ancelotti revelou já imaginar quais atletas poderão compor a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2030: “Endrick, Vinicius, Estêvão, Militão, Rodrygo, são todos jogadores muito jovens que estarão também no próximo Mundial.”

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