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Amor de pai em tempos de intolerância: o depoimento de um genitor sobre filho gay

Sem discursos elaborados ou posições teóricas, o que se apresenta é a experiência concreta de um pai diante do mundo do filho


Reprodução Amor de pai em tempos de intolerância: o depoimento de um genitor sobre filho gay
Amor de pai em tempos de intolerância

Um trecho da entrevista do empresário e vereador Carlos Alves de Camargos ao podcast PHCAST revela uma dimensão profundamente humana de sua trajetória pública: a relação com o filho e o sentimento de acolhimento diante de sua orientação sexual.

Natural de São Gotardo (MG), nascido em 23 de agosto de 1968, Carlos Alves construiu uma vida marcada pelo trabalho e pela dedicação à família. Contador de formação, atuou por mais de duas décadas em empresas como Planagri e Cerragri, exercendo funções de liderança nas áreas administrativa, contábil e de recursos humanos. Hoje, é empresário no ramo supermercadista, sendo sócio do Supermercado Camargos e da Correa & Camargos. Casado com Josiane Karla Ribeiro Camargos, é pai de Matheus e Gabriela.

Na vida pública, também consolidou uma trajetória consistente. Foi vice-prefeito entre 2013 e 2016 e, desde então, exerce mandatos consecutivos como vereador, com atuação no Distrito de Guarda dos Ferreiros, onde vive.

Mas é fora do ambiente institucional que surge um dos relatos mais marcantes de sua história. Durante a entrevista, ao falar sobre o filho, que é homossexual, Carlos Alves se emociona ao recordar um momento simples, mas profundamente significativo. Ao observar uma fotografia, percebeu no olhar do filho algo que o tocou de forma intensa — um sentimento que ele traduziu como deslocamento, como alguém que talvez não se sentisse plenamente pertencente.

Com a voz embargada e os olhos marejados, expressou uma preocupação que atravessa qualquer posição política ou social: o desejo de proteger. “Imagine você não se encaixar nesse mundo… a sociedade finge que aceita… peço a Deus que esse mundo não o maltrate.”

A fala revela um gesto de amor que se constrói na escuta, na empatia e na tentativa de compreender. Mais do que aceitar, trata-se de acolher — de reconhecer no filho não um problema, mas uma vida que merece respeito, dignidade e segurança.

O relato expõe, de forma delicada, uma realidade ainda presente: a de pessoas que enfrentam barreiras invisíveis, mesmo em ambientes que, à primeira vista, parecem tolerantes. Ao mesmo tempo, mostra que o afeto pode ser um ponto de partida poderoso para transformar essa realidade.

Sem discursos elaborados ou posições teóricas, o que se apresenta é a experiência concreta de um pai diante do mundo do filho. Um gesto simples, mas carregado de significado: amar, proteger e desejar que a vida seja menos dura.

É nesse encontro entre a vida pública e a intimidade que a entrevista ganha força — não como um episódio político, mas como um testemunho de humanidade.

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