Política

Alcolumbre vai esticar a corda e insistir em Pacheco no STF?

Alcolumbre tem deixado claro que não pretende se esforçar para que o preferido de Lula, Jorge Messias, seja aprovado


Reprodução Alcolumbre vai esticar a corda e insistir em Pacheco no STF?
Alcolumbre, Pacheco Lula e Messias

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), vem reiterando internamente sua preferência pelo nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal (STF), deixando claro que não pretende atuar para viabilizar a aprovação do advogado-geral da União, Jorge Messias, escolha defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A indefinição em torno da indicação tem levado Pacheco a adiar decisões sobre seu próprio futuro político, incluindo tratativas para uma possível mudança partidária com vistas à disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026 — movimento incentivado pelo próprio Lula, que busca consolidar um palanque competitivo no segundo maior colégio eleitoral do país.

Nos bastidores, a avaliação de senadores é de que Alcolumbre não deve atuar nem contra nem a favor de Messias. A expectativa predominante é de que o presidente do Senado tampouco repetirá a estratégia de 2021, quando, no governo Bolsonaro, retardou por meses a sabatina de André Mendonça. Segundo relatos, esse recado já foi transmitido diretamente a Lula em uma conversa privada no último dia 20. Alcolumbre teria afirmado que trabalhar pela aprovação de Messias significaria “trair” Pacheco, de quem é aliado próximo.

A defesa do nome de Pacheco não se restringe ao círculo de Alcolumbre. Parlamentares afirmam, sob reserva, que a indicação de um ex-presidente do Senado ao Supremo é vista como oportunidade inédita na Casa. Alguns admitem que votarão a favor de Messias caso o nome seja oficializado, mas não se engajarão na busca de votos. Outra leitura corrente é que Lula só avançou com a discussão por causa da aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, anunciada em 9 de outubro.

A situação interna de Pacheco em Minas também pesa. O PSD decidiu apoiar a candidatura do vice-governador Matheus Simões (Novo) para a sucessão estadual, reduzindo o espaço do senador na legenda e dificultando sua eventual postulação ao governo. Aliados veem esse cenário como argumento adicional a favor de sua ida ao STF e aconselham que ele não negocie nova filiação antes da decisão de Lula.

Na base governista, há quem minimize o impacto da falta de um palanque robusto para o PT no estado, afirmando que essa dificuldade não pode ser atribuída a Pacheco, que não demonstra disposição para concorrer ao Executivo estadual — desejo manifestado ao presidente.

Apesar da resistência inicial, auxiliares de Lula afirmam que a tensão em torno do nome de Messias tende a se dissipar após a indicação formal. O advogado-geral da União, dizem, acompanha o movimento com tranquilidade. Lula pretendia anunciar o indicado antes de viajar à Ásia, mas decidiu aguardar após a conversa com Alcolumbre e agora planeja tratar do tema diretamente com Pacheco — diálogo que deve incluir a articulação eleitoral de 2026.

A aposentadoria de Barroso abre a primeira de uma série de vagas sensíveis no Supremo. Entre 2028 e 2030, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes chegarão aos 75 anos, idade máxima instituída pela “PEC da Bengala”, aprovada pelo Congresso em 2015, durante o governo Dilma Rousseff (PT), que elevou a idade para aposentadoria compulsória e restringiu a capacidade da então presidente de fazer novas indicações para a Corte.

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