Advogada é executada na rua de casa com mais de 10 tiros em Belo Horizonte
A polícia trabalha com a hipótese de que o autor do crime possa ser um cliente insatisfeito com o trabalho dela. Ou que o crime tenha sido cometido pelo ex-marido de Kamila, que é ex-presidiário
A advogada criminalista Kamila Cristina Rodrigues dos Santos, de 32 anos, foi assassinada na manhã de ontem, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste de Belo Horizonte. O crime ocorreu por volta das 7h, quando a vítima deixava sua residência e se preparava para entrar em um furgão amarelo utilizado na distribuidora de bebidas do namorado.
Como ocorreu o crime
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que um veículo Kia Cerato prata, de vidros escuros, se aproxima do local. Um homem desce do carro, dispara diversas vezes contra Kamila e foge em seguida. A perícia recolheu pelo menos dez cápsulas no local. Até a última atualização, ninguém havia sido preso.
Quem era Kamila
Formada pela Escola Superior Dom Helder Câmara, Kamila tinha pós-graduação em Direito Processual Civil pela Faculdade Líbano e cursava mestrado em Direito pela Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER). Nas redes sociais, ela também mencionava o curso de Ciências Contábeis.
Desde 2019, atuava nas áreas de Direito Civil, Família, Trabalhista e Criminal, acumulando experiência em audiências, elaboração de peças processuais e mediação de conflitos. Paralelamente, ajudava na administração da distribuidora de bebidas do companheiro.
Publicações recentes
Após o crime, circulou nas redes sociais um vídeo em que Kamila aparece afirmando ser uma “pessoa legal até certo ponto” e que estava “de guerra”. A gravação não cita nomes, não especifica o contexto e tampouco se sabe a data da filmagem.
Reação da OAB-MG
Em nota assinada pelo presidente Gustavo Chalfun, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais (OAB-MG) lamentou a morte, classificando o episódio como um “ataque covarde” não apenas contra uma profissional, mas contra toda a advocacia e o Estado Democrático de Direito.
A entidade cobrou do Legislativo medidas mais duras, incluindo a transformação em crime hediondo dos homicídios cometidos contra advogados, além de debater a isonomia no porte de armas com Ministério Público e magistratura. Foi anunciada ainda a criação de uma comissão para acompanhar o inquérito.
Situação da investigação
A Polícia Civil de Minas Gerais informou que a motivação do crime ainda não foi esclarecida e que as investigações prosseguem. Até o momento, o autor dos disparos não foi identificado. Mas a polícia trabalha com a hipótese de que o autor do crime possa ser um cliente insatisfeito com o trabalho do escritório dela. Ou que o crime tenha sido cometido pelo ex-marido de Kamila, que é ex-presidiário.
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